Por ocasião do Ano da Oração, o Dicastério para a Evangelização preparou uma série de instrumentos e subsídios úteis para apoiar as comunidades cristãs e cada crente no caminho de preparação para o Jubileu 2025.

O subsídio “Ensina-nos a rezar”, cujo título é tirado do capítulo XI do Evangelho de Lucas (Lc 11,1), está disponível on-line, <clique aqui> para baixar. O opúsculo, inspirado no Magistério do Papa Francisco, pretende ser um convite a intensificar a oração como diálogo pessoal com Deus, para levar cada um a refletir sobre a sua fé e sobre o seu compromisso no mundo de hoje, nos diferentes âmbitos em que é chamado a viver. O objetivo é oferecer reflexões, indicações e conselhos sobre como viver mais plenamente o diálogo com o Senhor, na relação com os outros. O subsídio é composto por seções dedicadas à oração na comunidade paroquial, na comunidade familiar, outras dedicadas aos jovens, às comunidades de clausura, à catequese e aos retiros espirituais.

Confira o texto de introdução do subsídio:

No caminho rumo ao Jubileu de 2025, o Papa Francisco quis que este ano de 2024 fosse dedicado à oração, convidando toda a Igreja a um tempo de grande compromisso, em preparação para a abertura da Porta Santa. A Celebração de um Ano Santo, que tem sua origem mais remota na tradição judaica do jubileu (yobel), como tempo de perdão e reconciliação, representa, a partir de 1300, uma oportunidade especial para meditar sobre o grande dom da misericórdia divina que sempre nos espera e sobre a importância da conversão interior, necessárias para poder viver os dons espirituais oferecidos aos peregrinos durante o Ano Santo, tornando novo o vínculo que une os batizados, como irmãos e irmãs em Cristo, com toda a humanidade amada por Deus.


O Jubileu não se limitará à cidade de Roma, mas estender-se-á como um anúncio da misericórdia de Deus ao mundo inteiro, tornando-se assim uma grande oportunidade de evangelização. Como cristãos, somos convidados a dar testemunho como autênticos “Peregrinos da Esperança” que caminham em direção ao Senhor, que abre os braços do seu perdão, braços misericordiosos estendidos também para os irmãos, que ainda esperam que o anúncio do Evangelho chegue até eles.


Este subsídio, inspirado no magistério do Papa Francisco, é um instrumento para acompanhar os fiéis neste tempo que prepara para a iminente abertura da Porta Santa: o convite é intensificar a oração como diálogo pessoal com Deus, m convite que deve levar-nos a refletir sobre a nossa fé, sobre o nosso compromisso no mundo de hoje, nos diversos âmbitos que somos chamados a viver, para que possa ser alimentada uma renovada paixão pela Evangelização do homem moderno. O Papa Francisco, anunciando no Angelus o Ano da Oração que precede o Jubileu 2025, exortou assim os fiéis: «Peço-vos que intensifiqueis a vossa oração, a fim de nos prepararmos para viver bem este acontecimento de graça e experimentar nele a força da esperança de Deus. […] Um ano dedicado a redescobrir o grande valor e a necessidade absoluta da oração na vida pessoal, na vida da Igreja e no mundo» (Angelus, 21 de janeiro de 2024).


Nas suas catequeses, o Papa por várias vezes referiu que a oração é o caminho para entrar em contato com a verdade mais profunda de nós mesmos, onde a luz do próprio Deus está presente, como ensinava Santo Agostinho. O Papa Francisco encoraja a rezar com perseverança, sublinhando como a oração constante transforma não apenas a pessoa, mas também a comunidade que o rodeia, mesmo onde o mal parece vencer.

A oração seja, então, para cada cristão a bússola que orienta, a luz que ilumina o caminho e a força que sustenta na peregrinação que levará a atravessar a Porta Santa. Através da oração poderemos chegar com um coração pronto a acolher os dons de graça e de perdão que o Jubileu oferecerá, como expressão viva da nossa relação com Deus. Mergulhemos, pois, com a oração nesse diálogo contínuo com o Criador, descobrindo a alegria do silêncio, a paz do abandono e a força da intercessão na comunhão entre os santos.


Este subsídio tem como único objetivo ajudar a renovar o espírito de oração em todos os contextos que somos chamados a viver diariamente. Cada parte – desde o significado da oração na dimensão pessoal até à sua prática na vida comunitária – pretende oferecer reflexões, indicações e conselhos para viver mais plenamente o diálogo com o Senhor presente, na relação com os outros e em todos os momentos do nosso dia, com secções à oração na comunidade paroquial, na família e outras dedicadas aos jovens, às comunidades de clausura, à catequese e aos retiros espirituais.

“Ensina-nos a rezar”: Viver o Ano da Oração em preparação para o Jubilaeu 2025

Em preparação para o Jubileu 2025, o Papa Francisco convocou este ano como o ano da oração, dedicado a uma grande ‘sinfonia’ de oração em todo o mundo, com o intuito de recuperar o desejo de estar na presença do Senhor, de o escutar e de o adorar.

Uma das ferramentas úteis apontadas pelo Vaticano para redescobrir e entender melhor o valor da oração são as catequeses sobre a oração do Papa Francisco proferidas entre 6 de maio de 2020 e 16 de junho de 2021. A seguir temos o link para acessar cada uma das 38 catequeses.

Catequese 1: O mistério da oração

Catequese 2: A oração do cristão

Catequese 3: O mistério da Criação

Catequese 4: A oração dos justos

Catequese 5A oração de Abraão

Catequese 6: A oração de Jacob

Catequese 7A oração de Moisés

Catequese 8A oração de David

Catequese 9A oração de Elias

Catequese 10A oração dos Salmos 1

Catequese 11A oração dos Salmos 2

Catequese 12Jesus, homem de oração

Catequese 13Jesus, mestre da oração

Catequese 14 A oração perseverante

Catequese 15A Virgem Maria, mulher orante

Catequese 16A oração da Igreja nascente

Catequese 17A bênção

Catequese 18A oração de súplica

Catequese 19A oração de intercessão

Catequese 20A oração de ação de graças

Catequese 21A oração de louvor

Catequese 22A oração com as Sagradas Escrituras 

Catequese 23Rezar na Liturgia

Catequese 24Rezar na vida quotidiana 

Catequese 25A oração e a Trindade 1 

Catequese 26A oração e a Trindade 2

Catequese 27Rezar em comunhão com Maria

Catequese 28Rezar em comunhão com os santos

Catequese 29A Igreja mestra em oração

Catequese 30A oração vocal

Catequese 31A meditação 

Catequese 32A oração contemplativa

Catequese 33O combate da oração

Catequese 34Distrações, aridez, acídia

Catequese 35 A certeza de ser escutados

Catequese 36Jesus modelo e alma de cada oração

Catequese 37Perseverar no amor

Catequese 38A oração pascal de Jesus para nós

Na Casa Dom Luciano, em Brasília (DF), pulsa o coração da Igreja no Brasil em preparação para o Jubileu 2025. São aproximadamente 300 pessoas de todos os regionais e dioceses que responderam ao chamado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o Encontro Nacional “Preparando o Jubileu 2025”. O arcebispo dom Geremias Steinmetz participa do encontro representando a Arquidiocese de Londrina. Na manhã desta segunda-feira, 29, a mesa de abertura com a presença de autoridades eclesiais deu início ao evento.

Ajuda na preparação ao Jubileu

Dom Rino Fisichela

Convidado especial para assessorar o evento, dom Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização e coordenador do Jubileu 2025, destacou a sua felicidade em participar deste momento organizado pela conferência episcopal do Brasil e o seu encontro com o Papa Francisco antes de viajar. Segundo dom Fisichella, o Papa pediu-lhe que trouxesse a sua saudação e bênção a todos os brasileiros.

“Agradeço de coração a presidência da conferência episcopal por ter organizado este encontro em preparação ao jubileu. Estou grato por encontrar grande ajuda na cansativa preparação do jubileu, que será um momento de graça para toda a igreja.”

Núncio Apostólico dom Giambattista Diquattro

O Núncio Apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro, manifestou a alegria de acolher a dom Fisichella no Brasil e destacou que sua presença é um sinal de motivação para a Igreja no Brasil nesta preparação para o Jubileu.

“A Igreja do Brasil e a sua pessoa se confirmam mutuamente no ardor da expectativa do entusiasmo e da motivação no seguimento do único caminho que é Cristo Jesus.”

Participantes na manhã do 1º dia do encontro. | Fotos: Osnilda Lima – Comunicação do Encontro “Preparando o Jubileu 2025”

Missionários e peregrinos da esperança

O arcebispo de Brasília, cardeal Paulo Cézar Costa, em sua saudação aos presentes, como bispo da igreja local, destacou o tema do jubileu e o pedido do Papa Francisco para que a Igreja se prepare para este jubileu primeiramente com a oração.

“Estamos vivendo numa sociedade que vai perdendo a esperança. Esperança é o tema fundamental para a sociedade. O ser humano não vive sem esperança. A fé cristã para nós nasce da esperança em Cristo morto e ressuscitado. É nele que se fundamenta a nossa esperança”, afirmou o arcebispo.

Dom Paulo ainda destacou que o jubileu será um momento bonito, especialmente porque cada cristão é chamado a ser missionário da esperança em uma sociedade que está minando sua capacidade de esperar. “Só tem capacidade de irradiar esperança quem espera. Se nós, cristãos, não somos mulheres e homens de esperança, como vamos contagiar o mundo com esperança?”

O cardeal refletiu que devemos olhar para Aquele que é o autor da esperança e exortou que este encontro nacional seja um momento rico de motivação para a Igreja no Brasil. “Saiamos daqui verdadeiramente motivados para levar o jubileu para as nossas dioceses, paróquias e comunidades. Que seja um momento bonito de reavivamento dAquele que é o centro da nossa esperança, que possamos levar a grande esperança da fé a um mundo que está carente de esperança.”

Representatividade da Igreja no Brasil

O arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva, concluiu as saudações da mesa de abertura e destacou a representatividade de todas as regiões do Brasil no encontro nacional. “Queremos acolher os irmãos e irmãs que atenderam o nosso convite de participar deste encontro nacional. Temos representação de todas as regiões do Brasil.”

Dom Justino partilhou com os presentes que a CNBB, tão logo o Papa Francisco fez o anúncio do Jubileu, constituiu uma comissão para animar o processo preparatório, manifestando a adesão ao chamado do pontífice. O primeiro vice-presidente apresentou a comissão que é formada por bispos, assessores das comissões e representantes de organismos ligados à CNBB. Outro ponto destacado pelo arcebispo foi o empenho das Edições CNBB em traduzir e publicar os cadernos preparatórios do Jubileu.

“A iniciativa deste encontro nacional obteve uma resposta muito positiva do nosso episcopado, por isso temos a representação de tantas dioceses. Desejamos que estes dois dias sejam muito fecundos. Trago a saudação do nosso presidente, dom Jaime Spengler”, concluiu o primeiro vice-presidente da entidade.

A mesa de abertura foi precedida pela oração de Laudes, que foi conduzida por dom Valdir José de Castro, bispo de Campo Limpo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB.

CNBB
Com colaboração de Marcus Tullius / Pascom Brasil
Equipe de Comunicação do Encontro “Preparando o Jubileu 2025”

Fotos: Divulgação

“Um ano dedicado a redescobrir o grande valor e a necessidade absoluta da oração”. Dioceses de todo mundo são convidadas a propor peregrinações, itinerários ou momentos de oração individual ou comunitária

Para viver o “tempo de graça” até a abertura da Porta Santa, em data ainda a ser anunciada pelo Papa Francisco com a publicação de uma Bula Papal, o Pontífice pede aos fiéis que “intensifiquem” a oração. Por isso, dá início a este ano, dedicado a intensificar a oração na vida pessoal, na vida da Igreja e no mundo.

O anúncio do Ano da Oração foi feito no final do Angelus do domingo, 21 de janeiro, o quinto domingo da Palavra de Deus. Após a catequese, o Papa lembrou aos 20 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro que “os próximos meses nos levarão à abertura da Porta Santa, com a qual iniciaremos o Jubileu. “Peço a vocês que intensifiquem a oração para viver esse tempo de graça.”

Para isso, o Papa Francisco dá início a este ano especial durante o qual as dioceses do mundo se esforçarão para redescobrir a centralidade da oração. O Ano da Oração sucede o ano dedicado à reflexão sobre os documentos e ao estudo dos frutos do Concílio Vaticano II, 2023.

Em preparação para o Ano Santo de 2025, as dioceses são convidadas a promover momentos de oração individual e comunitária. A proposta é de “peregrinações de oração” rumo ao Jubileu ou itinerários de escolas de oração com etapas mensais ou semanais, presididas pelos bispos, para envolver todo o Povo de Deus.

“Notas sobre a oração” do Dicastério para a Evangelização

Para viver este ano da melhor forma, o Dicastério para a Evangelização publicará uma série de “Notas sobre a oração”, para colocar novamente no centro a relação profunda com o Senhor, através das muitas formas de oração contempladas na rica tradição católica. A série, mas também todo o Ano da Oração, será apresentada na terça-feira, 23 de janeiro, na Sala de Imprensa da Santa Sé, por dom Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização (Seção para as Questões Fundamentais da Evangelização no Mundo) e por monsenhor Graham Bell, subsecretário, responsável pela Secretaria, do mesmo Dicastério.

Jubileu 2025: Peregrinos de esperança

A Igreja celebrará em 2025 mais um Jubileu ordinário, marcando os 25 primeiros anos do século XXI. O Papa Francisco escolheu o tema “Peregrinos da Esperança” e indicou que a preparação para esse momento levasse em conta a oração e o estudo dos documentos do Concílio Vaticano II.

Mais informações sobre o Jubileu 2025 no site: https://iubilaeum2025.va/pt.html

Vatican News

Foto: Vatican Media

“Não desvies o rosto de nenhum pobre” (Tb 4,7), é a reflexão central da VII Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Pobres, realizado no domingo, 19 de novembro de 2023. A Igreja no Brasil, por meio das Pastorais Sociais e Organismos ligados à Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB), propõe a VII Jornada Mundial dos Pobres em preparação ao Dia Mundial dos Pobres, que neste ano será realizada de 12 a 19 de novembro

.

Seguindo a convocação do Papa Francisco, a Cepast-CNBB reafirma: “O Dia Mundial dos Pobres, sinal fecundo da misericórdia do Pai, vem pela sétima vez alentar o caminho das nossas comunidades. Trata-se duma ocorrência que se está a radicar progressivamente na pastoral da Igreja, fazendo-a descobrir cada vez mais o conteúdo central do Evangelho. Empenhamo-nos todos os dias no acolhimento dos pobres, mas não basta; a pobreza permeia as nossas cidades como um rio que engrossa sempre mais até extravasar; e parece submergir-nos, pois o grito dos irmãos e irmãs que pedem ajuda, apoio e solidariedade ergue-se cada vez mais forte. Por isso, no domingo que antecede a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo, reunimo-nos ao redor da sua Mesa para voltar a receber d’Ele o dom e o compromisso de viver a pobreza e servir os pobres”.

As pastorais, organismos e iniciativas que articulam e animam a VII Jornada Mundial dos Pobres, são: 6ª Semana Social Brasileira, Cáritas Brasileira, Assessoria de Comunicação da CNBB, Conselho Nacional do Laicato do Brasil, Conselho Pastoral dos Pescadores, Instituto Migrações e Direitos Humanos, Pastoral da Comunicação, Pastoral da Criança, Pastoral do Povo de Rua, Pastoral Operária, Serviço a Pastoral do Migrante, Setor de Mobilidade Humana da CNBB e Tv Evangelizar e Signis Brasil.

Confira o convite feito presidente da Comissão Episcopal para Ação Sociotransformadora:

Após quatro semanas de XVI Assembleia Geral Ordinária no Vaticano, Francisco concluiu os trabalhos na noite deste sábado (28), na Sala Paulo VI. O último dia foi de leitura, aprovação e apresentação do Relatório de Síntese, que passou por votação eletrônica e secreta

O Papa Francisco participou da Congregação Geral da tarde deste sábado (28) da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos naquele que foi o último dia após quatro semanas de trabalho. Dia também de leitura e aprovação do Relatório de Síntese, que passou por votação eletrônica e secreta, com apresentação do documento de 40 páginas – em versão oficial em italiano e inglês – em coletiva de imprensa. Essa foi a primeira vez que os não bispos tiveram o direito de voto, como as mulheres.

A conclusão dos trabalhos do Sínodo foi feita pelo próprio Papa Francisco na noite desse sábado (28), na Sala Paulo VI. Em espanhol, agradeceu pela dedicação de todos e disse:

“Quero recordar que o protagonista do Sínodo é o Espírito Santo. Sugiro que levem consigo os textos de São Basílio, que nos preparou o Padre Davide Piras, e continuem meditando-o, porque isso pode ajudá-los. Quero agradecer o trabalho de todos e de cada um: cardeal Grech, não dormiu à noite; cardeal Hollerich, mestre dos noviços; Nathalie Becquart e Luis Marín de San Martín, Giacomo Costa, Riccardo Battocchio, Giuseppe Bonfrate, Irmã Maria Grazia Angelini, Timothy Radcliffe, que nos manifestaram um saber espiritual conosco, e aos escondidos, aqueles que estão aqui atrás, que não vemos e que possibilitaram tudo isso. Obrigado de coração a todos. Muchas gracias.”

Missa de encerramento neste domingo

O Papa Francisco presidiu a celebração eucarística de conclusão do Sínodo dos Bispos no Vaticano no domingo, 29 de outubro, e exortou cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos a crescer na adoração a Deus e no serviço ao próximo: “é aqui que está o coração de tudo” para fazer “a Igreja que somos chamados a sonhar: uma Igreja serva de todos, serva dos últimos. Uma Igreja que acolhe, serve, ama. Uma Igreja com as portas abertas, que seja porto de misericórdia”.

Cerca de 5 mil fiéis estiveram na Basílica São Pedro para rezar com o Papa Francisco. A homilia foi especialmente dirigida aos cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos que, durante um mês, se viram empenhados na Sala Paulo VI, no Vaticano, para a XVI Assembleia Geral Ordinária. O pedido do Pontífice, segundo a reflexão do Evangelho do dia (Mt 22, 36) sobre “o princípio inspirador de tudo”, foi de “crescer na adoração a Deus e no serviço do próximo”.

De fato, quando nos interrogamos sobre «Qual é o maior mandamento?» (Mt 22, 36), explica o Papa, a resposta de Jesus é clara: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. Este é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo» (Mt 22, 37-39). Com a conclusão do Sínodo, “é importante fixar o «princípio e fundamento», do qual uma vez e outra tudo começa: amar a Deus com toda a vida e amar o próximo como a si mesmo”. Mas, questiona o próprio Papa, como traduzir tal impulso de amor? Francisco propõe “dois verbos, dois movimentos do coração”: adorar e servir.

A adoração é essencial na Igreja

A adoração “é a primeira resposta que podemos oferecer ao amor gratuito” de Deus e, infelizmente, neste momento, disse o Papa, “perdemos o hábito da adoração”: “esta maravilha própria da adoração é essencial na Igreja”.

“Que esta seja uma atividade central para nós, pastores: dediquemos diariamente um tempo à intimidade com Jesus, Bom Pastor, diante do sacrário. Adorar. Que a Igreja seja adoradora! Adore-se o Senhor em cada diocese, em cada paróquia, em cada comunidade! Porque só assim nos voltaremos para Jesus, e não para nós mesmos.”

Mas, alerta Francisco, na Sagrada Escritura, o amor ao Senhor aparece frequentemente associado à luta contra toda a idolatria, porque os ídolos são obra do homem: “quem adora a Deus rejeita os ídolos, pois, enquanto Deus liberta, os ídolos tornam-nos escravos”.

Servir

O segundo verbo proposto pelo Papa é o servir, como acontece no mandamento maior, já que “Cristo liga Deus e o próximo, para que não apareçam jamais separados. Não existe uma experiência religiosa que seja surda ao grito do mundo, uma verdadeira experiência religiosa. Não há amor a Deus sem envolvimento no cuidado do próximo”. Assim, a reforma da Igreja deve ser conduzida através da adoração e do serviço:

“Adorar a Deus e amar os irmãos com o seu amor, esta é a grande e perene reforma. Ser Igreja adoradora e Igreja do serviço, que lava os pés à humanidade ferida, acompanha o caminho dos frágeis, dos débeis e dos descartados, sai com ternura ao encontro dos mais pobres. […] Irmãos e irmãs, penso naqueles que são vítimas das atrocidades da guerra; nas tribulações dos migrantes, no sofrimento escondido de quem se encontra sozinho e em condições de pobreza; em quem é esmagado pelos fardos da vida; em quem já não tem mais lágrimas, em quem não tem voz.”

Assim, com a conclusão da Assembleia Sinodal, nesta «conversação do Espírito», disse o Papa, a experiência foi rica da “terna presença do Senhor”, da “beleza da fraternidade”, sempre “à escuta do Espírito. Hoje não vemos o fruto completo deste processo”, comentou ainda o Pontífice, mas o Senhor deverá guiar e ajudar todos “a ser Igreja mais sinodal e missionária, que adora a Deus e serve as mulheres e os homens do nosso tempo, saindo para levar a todos a alegria consoladora do Evangelho”:

“Esta é a Igreja que somos chamados a sonhar: uma Igreja serva de todos, serva dos últimos. Uma Igreja que acolhe, serve, ama, sem nunca exigir antes um atestado de «boa conduta». Uma Igreja com as portas abertas, que seja porto de misericórdia.”

Andressa Collet
Vatican News

Foto: Vatican Media

Rezemos pela Igreja, para que adote a escuta e o diálogo como estilo de vida a todos os níveis, deixando-se guiar pelo Espírito Santo em direção às periferias do mundo.

Reflexão

A primeira sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos decorre neste mês de outubro, entre os dias 4 e 29. A intenção do Papa vai, por isso, neste sentido, convidando a rezar para que o estilo de vida da Igreja seja assente na escuta e no diálogo, aberta ao Espírito Santo, em direção às periferias do mundo.

O sínodo que estamos a viver trouxe-nos esta palavra nova: «sinodalidade», que significa «caminharmos juntos». Mas isto só é possível se dialogarmos uns com os outros, capazes de falar – transmitindo ideias e opiniões – e de escutar – ouvindo o que outros têm para dizer. É um desafio que pede um coração aberto a acolher o que os outros têm para nos dar. Juntos, temos de aprender a escutar também o Espírito Santo, deixarmo-nos guiar a partir da oração e do discernimento.

O Papa Francisco recorda que «uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta, ciente de que escutar é mais do que ouvir. É uma escuta recíproca, onde cada um tem algo a aprender. Povo fiel, Colégio Episcopal, Bispo de Roma: cada um à escuta dos outros; e todos à escuta do Espírito Santo». O caminho do sínodo ainda não terminou, pois continuará com uma segunda sessão desta XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos em outubro de 2024. Esta primeira sessão é um momento importante do itinerário sinodal que estamos a percorrer juntos na Igreja. Para que o Espírito Santo possa ser o guia dos trabalhos, somos todos chamados a acompanhar estes trabalhos com a oração.

Oração

Espírito Santo, fonte de unidade, na Igreja sentimos muita falta de escuta e de diálogo. Abre os nossos ouvidos, para que escutemos as pessoas com tempo e gratuidade, para que reconheçamos a Tua voz no outro, e para que, através da escuta mútua, sejamos criadores de comunhão, sejamos mulheres e homens que, guiados por Ti, saiam, como Igreja, até às periferias do mundo. Amém.

Desafios

– Escuta e diálogo. Escutar os irmãos na vida cotidiana.

– Um estilo de vida. Fazer da comunhão e do caminhar juntos um estilo de vida.

– Um modo de proceder. Assumir a oração como forma de vida, aberta à presença de Deus.

– Oração e discernimento. Rezar em comunidade antes de definir a sua atividade apostólica.

– Abertura ao Espírito Santo. Participar na vida da comunidade, promovendo a oração e escuta do Espírito.

Rezemos para que as pessoas que vivem à margem da sociedade, em condições de vida desumanas, não sejam esquecidas pelas instituições e jamais sejam consideradas descartáveis.

Reflexão

Esta intenção de oração do Papa pede para que as pessoas à margem da sociedade não sejam esquecidas nem descartadas. Neste sentido, somos convidados a rezar pela integração dos marginalizados, de quem vive sem as condições mínimas de dignidade que cada ser humano merece ter.

As desigualdades sociais geram pobrezas de várias ordens e criam atitudes de exclusão, tornando os pobres indiferentes e esquecidos, apenas números abstratos e estatísticas sem rosto. A «globalização da indiferença», de quem fecha o coração ao que sucede ao seu redor, tem de ser transformada na «globalização da solidariedade». Lembra o Papa Francisco que «é decisivo dar vida a processos de desenvolvimento onde se valorizem as capacidades de todos, para que a complementaridade das competências e a diversidade das funções conduzam a um recurso comum de participação. Há muitas pobrezas dos “ricos” que poderiam ser curadas pela riqueza dos “pobres”, bastando para isso encontrarem-se e conhecerem-se». A solidariedade é uma escola de partilha e de fraternidade.

Esta intenção convida os governos e as instituições a adotarem uma abordagem diferente em relação à pobreza. É preciso acolher as pessoas marginalizadas a partir da sua situação concreta, proporcionando-lhes condições para que participem da sociedade e possam potenciar as suas capacidades. Esta é também uma experiência sinodal, de acolhimento dos mais pobres e necessitados, para caminharmos todos juntos como filhos de Deus.

Oração

Espírito Santo, Pai dos pobres.

Como se poderá dar uma solução real e concreta

aos milhões de pobres que, tantas vezes,

só encontram indiferença

ou até irritação como resposta?

Que caminho percorrer

para que se superem as desigualdades sociais

e se restabeleça a dignidade humana,

tantas vezes espezinhada?

Derruba o nosso individualismo cúmplice

e ajuda-nos a dar vida a processos de desenvolvimento

em que as capacidades de todos sejam reconhecidas,

em que a complementaridade de competências

e a diversidade de carismas

criem um projeto comum de ação.

Amém.

Desafios

– Integrar os marginalizados: Viver a compaixão pelos mais pobres.

– Ver e escutar: Ter o olhar e escuta compassivos de Jesus.

– Atender à riqueza do outro: Dar valor aos talentos das irmãs e dos irmãos.

– Dar lugar: Abrir a comunidade e integrar os mais vulneráveis na missão.

– Ajuda mútua: Viver a solidariedade com espírito de entre ajuda.

Rezemos para que a Jornada Mundial da Juventude em Lisboa ajude os jovens a pôr-se a caminho, testemunhando o Evangelho com a própria vida.

Reflexão

É chegada a tão desejada XXXVI Jornada Mundial da Juventude (JMJ Lisboa 2023). Preparada ao longo dos últimos anos por um grande número de pessoas, acolhe agora em Lisboa mais de um milhão de jovens provenientes do mundo inteiro. São números inéditos para um evento de juventude organizado em Portugal. Por isso, a intenção de oração do Papa leva-nos a rezar para que esta JMJ Lisboa 2023 ajude os jovens a pôr-se a caminho como Maria, testemunhando o Evangelho com a própria vida.

Como lema desta JMJ Lisboa 2023, foi escolhida a citação bíblica do início da narração da visita de Maria a sua prima Isabel: «Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lucas 1, 39). Nestes tempos difíceis que vivemos, acabados de sair da pandemia de Covid-19 e agora no drama das guerras na Ucrânia e no Sudão, encontramos na Virgem Maria um exemplo de esperança que reabre o caminho da proximidade e do encontro. Diz o Papa Francisco: «Depois da Anunciação, Maria teria podido concentrar-se em si mesma, nas preocupações e temores derivados da sua nova condição; mas não! Entrega-se totalmente a Deus! Pensa, antes, em Isabel. Levanta-se e sai para a luz do sol, onde há vida e movimento».

Maria vai ao encontro da prima de idade avançada que vai ser mãe. «Não se escusou, não ficou indiferente. Pensou mais nos outros do que em si mesma», completa o Papa. Rezemos então pela atitude de acolhimento, deixando-nos encontrar por Jesus e colocando-nos a caminho, como quem faz do serviço uma missão de vida.

Oração

Senhor Jesus,
entregamos ao teu Coração misericordioso
todos os jovens que,
apesar das suas quedas, desejam seguir-te.
O mundo precisa da sua força,
do seu entusiasmo e paixão.
Que eles, abraçando a nova vida
que lhes foi dada no Batismo,
sejam profetas de tempos novos,
capazes de levantar-se cheios de esperança
e sair pelos “caminhos de Damasco”
a dar testemunho das obras que Tu
começaste neles.

Amém!

Desafios

– Viver o Evangelho: Abandonar a rotina e viver o Evangelho de forma concreta.

– Acolher o Senhor na minha vida: Oferecer-lhe tudo o que vivo, inclusive as minhas amarguras.

– Deixar-se encontrar por Ele: Definir uma prática concreta que renove o encontro pessoal com o Senhor.

– Levantar-se e pôr-se a caminho: Dar testemunho, com alegria e no quotidiano, de que Cristo vive.

– Serviço à missão: Estar disponível para a missão.

Neste dia de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, relembramos a homilia do Papa Francisco na Santa Missa pelo III Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, no domingo, 23 de julho. Francisco faz um forte apelo para vigilarmos o nosso dia a dia, em casa e no trabalho, para “não marginalizar os mais velhos. Estejamos atentos para que as nossas cidades superlotadas não se tornem ‘concentrados de solidão’”. Através das três parábolas do Evangelho, o Papa exorta a dar prioridade na nossa agenda aos avós: “por favor, misturemo-nos, cresçamos juntos”, jovens e idosos, “o Senhor abençoará o nosso caminho.”

Uma Basílica de São Pedro repleta de fiéis, cerca de 8 mil segundo a Gerdarmaria Vaticana, para honrar “o tempo abençoado da velhice”, como o próprio Papa Francisco enalteceu em homilia. Neste III Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, o Pontífice refletiu as três parábolas do Evangelho do dia (cf. Mt 13,24-43) a partir de um aspecto em comum entre elas, ou seja, o “crescer juntos”.

O bem e o mal devem crescer juntos

Na primeira história simples sobre o trigo e o joio que crescem juntos no campo, que chega logo “ao coração de quem escuta”, como se fosse aquela conversa cheia de imagens que os avós usam com sabedoria com os netos, o Papa procurou descrever a história da humanidade. Afinal, disse ele, na vida de cada pessoa coexistem o bem e o mal, tanto fora como dentro da gente:

“Animado pela esperança de Deus, o cristão não é um pessimista nem um ingênuo que vive no mundo das fábulas, finge não ver o mal e diz que ‘tudo corre bem’. Não, o cristão é realista: sabe que no mundo há trigo e joio e, ao olhar para dentro de si, reconhece que o mal não vem só ‘de fora’ nem é sempre culpa dos outros, e não é preciso ‘inventar’ inimigos para combater, a fim de evitar que se faça luz no seu interior.”

Mas a parábola nos coloca um questionamento, advertiu o Papa: quando o bem e o mal convivem, o que devemos fazer? Certamente não ser impulsivos, como os servos que queriam arrancar o joio (cf. 13, 28), tirando o mal para salvar a pureza da sociedade e da própria Igreja. Desse modo, “junto com o joio, arranca-se também o bom grão”, e Jesus nos pede ao contrário, para fazer crescê-los juntos até a colheita, “acolhendo o mistério da vida com serenidade e paciência”, como um chamado para fazermos igual com os idosos e avós:

“Como é belo este olhar de Deus, esta sua pedagogia misericordiosa, que nos convida a ter paciência com os outros, a acolher – em família, na Igreja e na sociedade – fragilidades, atrasos e limites: não para nos habituarmos resignadamente a eles nem para os justificar, mas para aprendermos a intervir com respeito, continuando a cuidar do bom grão com mansidão e paciência.”

O ninho dos avós que abraça filhos e netos

Ao abordar a segunda parábola, do minúsculo grão de mostarda que ao crescer torna-se uma árvore frondosa, o Papa novamente recorda dos idosos: vieram ao mundo pequeninos como uma pequena semente que, “alimentando-se de esperanças e realizando projetos e sonhos”, tornou uma árvore “que não vive para si mesma, mas para dar sombra a quem a deseja e dar espaço a quem quer construir o ninho”.

“Penso nos avós: como são belas estas árvores frondosas, sob as quais filhos e netos constroem os seus ‘ninhos’, aprendem o clima de casa e experimentam a ternura de um abraço. Trata-se de crescer juntos: a árvore verdejante e os pequeninos que precisam do ninho, os avós com os filhos e os netos; os idosos com os mais jovens. Precisamos de uma nova aliança entre jovens e idosos, para que a seiva de quem tem uma longa experiência de vida umedeça os rebentos de esperança de quem está a crescer. Neste fecundo intercâmbio, aprendemos a beleza da vida, construímos uma sociedade fraterna e, na Igreja, permitimos o encontro e o diálogo entre a tradição e as novidades do Espírito.”

Não marginalizar os mais velhos

Finalmente o Papa trouxe para reflexão a terceira parábola, na qual os que crescem juntos são o fermento e a farinha (cf. Mt 13, 33). “Essa mistura faz crescer toda a massa. Jesus usa precisamente o verbo ‘misturar'”, disse Francisco, ao sugerir a arte de viver juntos e de «sair de si mesmo para se unir aos outros» (FRANCISCO, Exort. ap. Evangelii gaudium, 87), vencendo “os individualismos e os egoísmos e ajudando-nos a gerar um mundo mais humano e fraterno”:

“Assim hoje a Palavra de Deus é um apelo a vigilar para que, nas nossas vidas e famílias, não marginalizemos os mais velhos. Estejamos atentos para que as nossas cidades superlotadas não se tornem ‘concentrados de solidão’. […] Por favor, misturemo-nos, cresçamos juntos.”

“Irmãos, irmãs, a Palavra de Deus convida a não separarmos, a não nos fecharmos, a não pensarmos que é possível fazer tudo sozinhos, mas a crescer juntos. Ouçamo-nos, conversemos, apoiemo-nos uns aos outros. Não esqueçamos os avós e os idosos: graças às suas carícias muitas vezes nos levantamos, retomamos o caminho, sentimo-nos amados, fomos curados interiormente. Sacrificaram-se por nós e nós não podemos apagá-los de entre as prioridades da nossa agenda. Cresçamos juntos, avancemos em conjunto: o Senhor abençoará o nosso caminho.”

Andressa Collet
Vatican News