A solenidade de Cristo Rei é uma data muito recente. Foi instituída em 1925 por Pio XI, que a estabeleceu para o último domingo de outubro. Na encíclica Quas primas, o Pontífice declara que esta festividade quer afirmar a soberana autoridade de Cristo sobre os homens e sobre as instituições diante do progresso do laicismo na sociedade moderna. Um texto litúrgico da época o deixava transparecer nestes termos: “a grande família das nações, desagregada pelas feridas do pecado, se submeta ao seu suave império”. Atualmente esta solenidade é interpretada em sentido mais espiritual e escatológico. O mesmo título “Cristo Rei do Universo” alarga a prospectiva do primado de Cristo, registrado no Hino Cristológico de Colossenses 1,12-20.

 

A Reforma Litúrgica pós-conciliar mudou a sua comemoração para o último domingo do Ano Litúrgico e assim a coloca no sentido escatológico que é próprio deste domingo. A Oração Collecta assim expressa: “Faça que cada criatura, livre da escravidão do pecado, te sirva e te louve sem fim”. Apesar de termos esta solenidade em um dia determinado, cada domingo, Dia do Senhor, é uma celebração da realeza de Cristo e proclama sua soberania. Neste sentido, o último domingo do Ano Litúrgico celebra de maneira orgânica aquilo que constitui o núcleo de todas as  celebrações dominicais. Deixa claro também que o Senhor exaltado é o destino final do ano litúrgico e também da peregrinação terrena da Igreja e de seus membros.

 

A centralidade de Jesus Cristo no Mistério de Deus se acentua e se fortalece, com reflexos totalmente próprios e peculiares na liturgia de tal forma que ela é chamada de cristocêntrica. O cristocentrismo da liturgia encontra seu fundamento primeiramente no fato de que Cristo é o sujeito principal do culto que é prestado a Deus. O Mistério de Cristo está particularmente presente e é especialmente operante na Liturgia. Cristo é a primeira realidade litúrgica. A Cristo estão ligadas, para Cristo convergem, de Cristo dependem e recebem eficácia todas as outras realidades litúrgicas.

 

Particular ênfase dessa realidade provém do fato de que Cristo é termo do culto, além de ser sujeito do culto elevado a Deus pela Igreja também é o seu alvo e objetivo. Ele rezou por nós como nosso sacerdote, reza em nós como nosso chefe e nossa cabeça, rezou em nosso lugar como nosso Deus. Desde a mais remota antiguidade a Igreja dirigiu a sua oração a Cristo. Na Santa Missa, inclusive, rezamos: Por Cristo, com Cristo e em Cristo.

 

Jesus Cristo é o centro do Ano Litúrgico. Basta pensar no destaque que se confere neste último à Páscoa semanal, todo domingo, e à Páscoa anual, no sagrado Tríduo Pascal. A grande realidade central da cristologia, a Páscoa de Cristo, recebe assim a máxima evidência na estruturação do Ano Litúrgico. A celebração da Páscoa continua sendo sempre o centro da atenção da Igreja no decorrer do Ano Litúrgico, durante o qual distribui a celebração dos outros mistérios de Cristo, intimamente ligados à sua Páscoa. Todos estes outros mistérios recordam, fazem memória e celebram o único Mistério Pascal de Jesus Cristo. A Ele converge toda a realidade. Por isso, exatamente, a Igreja quis instituir a Festa de Jesus Cristo Rei do Universo.

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

Artigo publicado na Revista Comunidade edição novembro 2021
Foto destaque: Pe. Lawrence Lew

 

Aproxima-se a festa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Todos os anos acontece uma enorme movimentação em comunidades, paróquias e dioceses de todo o Brasil ao redor de Nossa Senhora. Destaca-se sempre todo o trabalho de evangelização planejado e executado no Santuário Nacional, em Aparecida (SP). Mas não deixam de ter a sua forte influência as programações locais das inúmeras instituições que a trazem como patrona em todo o território nacional.

 

Recordo, mesmo que brevemente, alguns fatos históricos importantes para o crescimento deste fenômeno no Brasil: Em outubro de 1717, Dom Pedro de Almeida Portugal, Conde de Assumar, indo de São Paulo para tomar posse como governador nas Minas Gerais, fez uma parada em Guaratinguetá (SP). A Câmara Municipal quis oferecer um grande banquete ao ilustre visitante. E convocou todos os pescadores para que apanhassem toda sorte de peixes que encontrassem. Três desses pescadores eram Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso. Eles que, naquela escassez de peixes, pescaram primeiro o corpo da santa e depois a cabeça da mesma imagem. Em seguida a pesca tornou-se evidentemente milagrosa, enchendo as redes e o barco. Na sala dos milagres chama a atenção um grande ex-voto pelo milagre da libertação de alguns escravos.

 

Há muitas outras narrativas relacionadas à libertação de negros escravos, proteção de pobres trabalhadores, conversões, valorizando e dando destaque para a cor da imagem, o tempo da escravidão, a opressão política e econômica. Certamente que a ligação umbilical com este tempo difícil e triste da história do Brasil abre espaço para reflexões bem pertinentes na realidade que hoje vivemos: a cultura urbana com suas mazelas em todas as áreas; as dificuldades econômicas que se abatem sobre o nosso povo; perda de direitos; desemprego; precarização do trabalho; presença, ainda, de trabalho escravo; falta de moradia; os problemas enfrentados por indígenas, quilombolas e ribeirinhos, etc. Acontece, assim, um grande evento de evangelização do povo e da cultura brasileira.

 

O Santuário de Nossa Senhora Aparecida do Norte do Paraná, na Vila Nova em Londrina, inaugura no dia 1º de outubro de 2021 o seu Ano Jubilar, que dará início a uma série de comemorações e celebrações pelos seus 70 anos como paróquia e 25 anos como santuário. Será um ano com diversas e intensas atividades pastorais e que envolverão a cidade toda: lançamento de selo comemorativo, apresentações artísticas e culturais, realização de celebrações e a grande Festa da Padroeira, celebrada todo dia 12 de outubro. A comemoração final do jubileu será no dia 12 de outubro de 2022. 

 

Informações fornecidas pela secretaria do santuário indicam que ele é considerado a “segunda paróquia de Londrina, criada apenas em seguida à Igreja Matriz, hoje Catedral Metropolitana de Londrina”. Diz a história e o relato de pioneiros que “Benjamin Nalin, morador do recém-inaugurado bairro Vila Nova, construiu uma capela em honra a Nossa Senhora Aparecida. Isso porque uma das filhas havia ficado doente e, se ela melhorasse, ele teria prometido que ergueria a capela para a comunidade rezar o terço, em um de seus terrenos no bairro”. 

 

Foi o que aconteceu, em maio de 1940. Dizem que Benjamin Nalin “foi até o Santuário Nacional de Aparecida comprar a imagem da padroeira para ornar o espaço”. Em abril de 1943 formou-se a primeira comissão para a construção da primeira igreja, que substituiria a primeira capela. Em 26 de fevereiro de 1952 chegou o primeiro padre, Beno Wernner, designado ainda pela Diocese de Jacarezinho para assumir como Vigário da Vila Casoni, um bairro ao lado, mais antigo. A posse do novo padre na nova paróquia foi no dia 1º de março de 1952. Dali por diante, o crescimento da comunidade se confunde com o desenvolvimento do bairro, da região e da cidade. Certamente que, além de uma história linda, permanecem muitos desafios a serem vencidos. 

 

Dado o avanço da pandemia e, com ela, a crise humanitária que se aprofundou, o Santuário se tornou uma referência de atendimento não apenas de fé, mas de assistência a pessoas necessitadas, especialmente a moradores de rua. Há dois grandes obstáculos a serem vencidos: a limitação de recursos, já que as obras assistenciais são realizadas através de doações de empresas e de paroquianos e a falta de espaço, que impede o Santuário de ampliar ainda mais o atendimento. Com espaço maior é possível dedicar-se mais à saúde, à pessoa idosa, às pessoas de rua, à Pastoral da Criança e aos Vicentinos, etc. Que Nossa Senhora Aparecida indique caminhos para a concretização da fé nas nossas comunidades.

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

 

Artigo publicado na Revista Comunidade edição outubro 2021
Foto destaque: Pascom Santuário Nossa Senhora Aparecida

 

 

No dia 23 de Fevereiro de 2020, durante a Visita Ad Limina dos bispos do Regional Sul II, tive a alegria de acompanhar um grupo de bispos do Paraná em visita ao Santuário de São Padre Pio de Pietrelcina, em San Giovanni Rotondo, na Itália. Como era um domingo de folga dos compromissos oficiais da visita, saímos de Roma às 7h planejados para chegar em tempo para a celebração da Eucaristia no Santuário por volta de 11h30. A viagem foi muito tranquila e divertida, regada a boas conversas com os companheiros de viagem. Na chegada no santuário antigo nos apresentamos ao reitor e fomos imediatamente orientados a celebrar a Eucaristia com peregrinos que quisessem participar na cripta onde está uma representação do corpo do Padre Pio.

 

Coube a mim presidir a Celebração Eucarística. Na homilia percebi as pessoas muito atentas porque, como nós, estavam em peregrinação. Expliquei que éramos um grupo de bispos brasileiros em Visita Ad Limina e que estávamos admirados pela grandeza do ambiente em todos os sentidos. 

 

Disse ainda que em nossas dioceses há muitos devotos do Pe. Pio. Nas conversas com os peregrinos após a missa percebemos a presença de pessoas de várias regiões da Itália. Falei também com pessoas da Áustria, Tchecoslováquia, etc. Todos muito gentis e respeitosos. O frei capuchinho que nos acolheu convidou-nos para o almoço com a comunidade dos capuchinhos que cuida dos trabalhos no santuário: confissões, celebrações, peregrinações, administração, livrarias, lojas de souvenirs, etc. 

 

O almoço com os freis foi interessante. Além da comida saborosa e do bom vinho produzido por eles, conhecemos ali alguns freis que ainda conviveram com o Pe. Pio e relataram alguns fatos, especialmente do final da vida dele. Para ser fiel nos dados biográficos, fui buscá-los no site dos Franciscanos da Imaculada Conceição do Brasil – OFM:  

Nasceu em Pietrelcina no dia 25 de maio de 1887. Chamava-se Francisco Forgione. O nome de Frei Pio de Pietrelcina recebeu-o em 1903, quando entrou na Ordem dos Capuchinhos. Foi ordenado sacerdote a 10 de agosto de 1910. Viveu uma vida de exigência pessoal. Venceu os maus instintos. Foi rigoroso na luta contra os vícios, simples no vestir e na comida e extremamente cuidadoso em evitar atos que pudessem ofender a Deus, aos irmãos ou a qualquer pessoa. 

Frei Pio é considerado um grande místico por todas as pessoas a quem chegou a sua ação e influência. Nisto consistiu a radicalidade profunda e original da sua espiritualidade, que o faz ter admiradores em todos os continentes. Assim como aconteceu com São Francisco de Assis, o Senhor crucificado quis partilhar com ele as dores da sua Paixão concedendo-lhe a graça dos estigmas, a 20 de setembro de 1915. Este foi o acontecimento místico mais marcante na vida do Frei Pio, mas há outros que importa, pelo menos, enumerar: o dom da profecia, o dom do discernimento dos espíritos, o dom da bilocação, o dom das curas, o dom das conversões, o dom dos perfumes.

O que mais atraiu as multidões de todos os continentes ao Convento de São Giovanni Rotondo durante a sua vida, foi a celebração da Eucaristia, o heróico atendimento de confissões e a direção espiritual (a quem recorreu muitas vezes o Papa São João Paulo II, então estudante de Teologia em Roma). Morreu no dia 23 de setembro de 1968. Foi canonizado em 16 de junho de 2002 e a sua festa litúrgica é celebrada dia 23 de setembro.

 

Na parte da tarde daquele domingo o frei nos mostrou todas as coisas relativas ao Pe. Pio e que o acompanharam durante sua vida e seu ministério: o pequeno quarto, a cama, a mesa onde escrevia e lia, o confessionário, o altar onde normalmente celebrava a Eucaristia. Tudo isto está na casa e na igreja onde viveu e atuou como padre. A casa onde viveu é hoje um museu. 

 

 Em seguida fomos ver e visitar o suntuoso novo santuário. É muito bem construído. Chama atenção pelas grandes dimensões, pela bela arquitetura, pelo planejamento em vista da pastoral. O detalhe teológico que mais me chamou atenção é o conceito de “inserção no Mistério de Cristo”. 

 

Há uma coluna que parte do andar térreo, onde está a sala de confissões, até o terceiro piso onde a coluna é a base para o altar central do santuário. Na sala de confissões há um nicho, construído na própria coluna, onde estão depositados os restos mortais do Pe. Pio. Representa justamente a mais autêntica compreensão da teologia dos santos: Viver e morrer inseridos no Mistério de Cristo. Concluo dizendo que tudo o que Pe. Pio fez em sua vida foi para testemunhar este Mistério central da fé.

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

 

Artigo publicado na Revista Comunidade edição setembro 2021
Foto destaque: Pe. Lawrence Lew O.P.

 

Fotos:  Arquivo pessoal

O Mês Vocacional há 41 anos propõe, exalta e celebra as principais vocações por meio das quais os cristãos são chamados a viver a santidade. O tema do Mês Vocacional proposto pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o ano de 2021 é “Cristo nos salva e nos envia”. Ele é extraído da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christus Vivit, dentro do projeto do Serviço de Animação Vocacional (ChV 118-123). O lema para o período é “Quem escuta a minha palavra possui a vida eterna” (cf. Jo 5,24). 

 

Há, inclusive, uma busca de continuidade na reflexão da Christus Vivit tendo em vista que em 2020 o tema “Deus te ama” era também extraído dela, e para o ano de 2022, o tema, já previsto, “Ele vive!”, é igualmente extraído dela. O Santo Padre explica: “Nestas três verdades (Deus ama-te, Cristo é o teu salvador, Ele vive), aparece Deus Pai e aparece Jesus. Mas, onde estão o Pai e Jesus Cristo, também está o Espírito Santo.

 

É Ele que prepara e abre os corações para receberem este anúncio, é Ele que mantém viva esta experiência de salvação, é Ele que te ajudará a crescer nesta alegria se O deixares agir. O Espírito Santo enche o coração de Cristo ressuscitado e de lá, como duma fonte, derrama-Se na tua vida. E quando O recebes, o Espírito Santo faz-te entrar cada vez mais no coração de Cristo, para que te enchas sempre mais com o seu amor, a sua luz e a sua força” (ChV 130).

 

De 8 a 14 de agosto foi celebrada a Semana Nacional da Família. Com a escolha do tema “Alegria do amor na família“, a intenção é celebrar o Ano Família Amoris Laetitia, iniciado no dia de São José (19 de março), convocado com o objetivo de marcar os cinco anos da exortação apostólica do Papa Francisco, fruto de dois sínodos sobre a família. 

 

Na abertura, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Walmor de Oliveira Azevedo, esclareceu e exaltou o papel da família na evangelização: “A família é prioridade no caminho missionário e na vida da Igreja”. 

Destacou algumas características que educam para a vida cristã: “Lá aprendemos que é bom servir e experimentamos a alegria de poder fazer o bem ao próximo. Esses aprendizados, que são permanentes quando bem vividos no ambiente familiar, repercutem na vida em sociedade. A família tem uma nobre missão: ser o lugar onde primeiro se experimenta essa verdade cristã. A vida ganha sentido quando se torna oferta”. 

 

Além disso, falou sobre a verdadeira alegria e autenticidade que acontece na família, como escola de uma vida feliz e doada: em poucas palavras mostrou como a família é a melhor escola de humanidade que existe.

 

Dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão Vida e Família da CNBB, destacou a grande oportunidade que a Semana da Família representa: “É um tempo favorável, um tempo de graça! (…) Que todos nós possamos nos congregar unidos na promoção, na defesa, no cuidado com as nossas famílias e com a vida”.

 

A proposta feita pelo Papa Francisco com a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia à Igreja é abrangente e profunda. Tem mesmo o desejo de uma verdadeira reviravolta no trabalho pastoral da Igreja com a FAMÍLIA e fazer com que ela entenda cada vez mais a sua VOCAÇÃO. 

 

Não quer apenas promover encontros, congressos, estudos, etc. Quer sim que seja colocado em evidência o discipulado de Jesus Cristo. Qualquer problema pastoral se resolve quando conseguimos colocar este objetivo à frente. Quando somos discípulos autênticos, tudo na vida, também os pecados e problemas, passam a ser analisados a partir dele. 

 

A proposta de Amoris Laetitia não é analisar as coisas a partir de leis, preceitos, dogmas ou uma lista de pecados, mas sim de um autêntico seguimento de Nosso Senhor. Por isso, o conhecimento da Palavra, a oração, a vida de comunidade, a direção espiritual, etc. Tudo isto é, na realidade, um confronto da nossa vida com o Senhor e ali reside a salvação porque Deus é misericordioso. Qualquer vocação cristã tem a necessidade de um discipulado realista e autêntico.

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

 

Artigo publicado na Revista Comunidade edição agosto 2021
Foto destaque: divulgação

Com o avanço da vacinação e do combate à COVID-19 aumenta a expectativa da retomada dos trabalhos pastorais em todas as instâncias da Igreja, especialmente nas paróquias e comunidades, ou seja, na base. Há muitas discussões sobre as características do “novo normal” que está por vir. Como será? O que precisaremos fazer? O povo voltará às Igrejas? Como será a participação? As festas poderão ser realizadas? O que é prioritário no trabalho pastoral? etc. 

No meu modo de ver, deveremos procurar ser sintéticos e apostar mais em trabalhos que sejam, realmente, evangelizadores. A retomada exigirá ousadia e criatividade apostólica. Será preciso planejar para ter clareza e certeza do que deve ser eliminado ou mantido. É necessário ter presente que toda a nossa reflexão pastoral parte da compreensão de que todos respiramos e vivemos a CULTURA URBANA. Ela envolve todos os sujeitos e protagonistas neste tempo pandêmico e pós-pandêmico.

 

No meu modo de ver, deveremos procurar ser sintéticos e apostar mais em trabalhos que sejam, realmente, evangelizadores.

 

Ainda no ano passado, fizemos encontros em que discutimos a atualidade e continuidade do XVII Plano Arquidiocesano da Ação Evangelizadora. A conclusão é que o nosso plano continua com alta porcentagem de validade. Humildemente, diante de realidade tão complexa, digo o que penso e me povoa o coração:

 

1. Cultivo da Iniciação à Vida Cristã – Além da valorização dela na catequese de crianças, adolescentes, jovens, com suas etapas bem definidas, é preciso valorizar a Iniciação à Vida Cristã nas pastorais e nos movimentos, especialmente com os adultos. No anúncio da Palavra é preciso recomeçar com o ensino bíblico simples e profundo, com várias metodologias a fim de proporcionar um encontro pessoal com Jesus Cristo, através da sua Palavra.

Valorizar a experiência do Povo de Deus na Sagrada Escritura com uma boa exegese (o método histórico-crítico, especialmente o Método do CEBI – Centro de Estudos Bíblicos) e ligando o estudo da Palavra, da realidade e a Oração com a Palavra através da Leitura Orante ou a Lectio Divina

O Documento Estudo da CNBB nº 114 alerta: “Em nossos dias, torna-se indispensável estabelecer e fortalecer, em pessoas e comunidades, o vínculo entre a Palavra de Deus e a vida, tornando a ação pastoral cada vez mais alicerçada no contato fecundo com a Sagrada Escritura. É o encontro com o Senhor Ressuscitado que, na força do Espírito, conduz a Igreja, comunidade de discípulos e discípulas, e torna essa grande comunidade sempre mais missionária na vivência e no anúncio da Palavra de Deus” (Introdução).

 A Catequese em Família e a Catequese on-line são expressões de uma novidade nesta área da catequese. O nosso XVII Plano explica o que é a Animação Bíblica de toda a pastoral: é um caminho de conhecimento e interpretação da Palavra, um caminho de comunhão e oração com a Palavra e um caminho de evangelização e proclamação da Palavra. O contato interpretativo, orante e vivencial com a Palavra de Deus não forma necessariamente intelectuais mas forma santos (pg 43).

 

Em nossos dias, torna-se indispensável estabelecer e fortalecer, em pessoas e comunidades, o vínculo entre a Palavra de Deus e a vida, tornando a ação pastoral cada vez mais alicerçada no contato fecundo com a Sagrada Escritura

 

2. Aproveitar as novidades que a pandemia nos trouxe: Este tempo de pandemia nos fez estar presentes nas casas e na vida das pessoas de uma forma nova: por meio das mídias sociais. Já as usávamos como meio de comunicação, de evangelização, de missão e de solidariedade. 

Este tempo acelerou o processo de uso das mídias sociais para reuniões, trabalhos, aulas, missas, etc., tudo on-line. Este caminho deve continuar a ser trilhado.  A Pascom (Pastoral da Comunicação) tornou-se uma pastoral fundamental na vida das dioceses, paróquias e comunidades. É um passo que foi dado e que não poderá retroceder. 

Porém, nossas celebrações voltarão a ser presenciais. Jesus, com seus gestos e palavras, com sua morte e ressurreição, convocou a assembleia do Novo Israel, a Igreja. A Igreja, desde o Novo Testamento, reúne-se em assembleia litúrgica, a cada domingo, para celebrar a memória da morte e ressurreição do Senhor, a Eucaristia.

 O tempo de pandemia vai passar e as nossas assembléias litúrgicas serão centrais para a retomada da vida da Igreja e das comunidades. A valorização do Domingo, com todas as suas características e potencialidades, é um ótimo elemento de evangelização neste tempo em que precisamos reconstruir relações, comunidades e projetos de pastoral.

 

O tempo de pandemia vai passar e as nossas assembléias litúrgicas serão centrais para a retomada da vida da Igreja e das comunidades

 

3. Repensar a questão da Missão, especialmente a necessidade do Querigma: Em muitas situações da evangelização deveremos, realmente, voltar à base e fazer um primeiro anúncio do Evangelho. Reconvocar o povo para a participação nas celebrações, cursos, pastorais, movimentos e Grupos Bíblicos de Reflexão. A boa nova da Ressurreição de Jesus deverá voltar a ecoar em todos os cantos para que as pessoas voltem a se apaixonar por este Mistério da Fé. Jesus Cristo é o grande missionário do Pai, envia, pela força do Espírito, seus discípulos em constante atitude de missão (Mc 16,15), por meio do testemunho e do anúncio explícito de sua pessoa e mensagem. A Igreja é missionária por natureza. 

A missão é o paradigma de toda a obra da Igreja. Penso que somos especialmente convocados neste momento histórico da Igreja e do nosso povo. Talvez esteja readquirindo força a diretriz que estabelecemos: “Estar atento às situações existenciais, psicológicas e de fé das pessoas, em vista da superação do comodismo e individualismo, motivando para a Ação Missionária” (XVII Plano, 39). Os Grupos Bíblicos de Reflexão são um patrimônio histórico da Arquidiocese de Londrina. Mostraram a sua validade como método neste tempo de pandemia e a sua capacidade de se refazer, mesmo que on-line. É preciso continuar investindo neles.

 

A boa nova da Ressurreição de Jesus deverá voltar a ecoar em todos os cantos para que as pessoas voltem a se apaixonar por este Mistério da Fé

 

4. Cuidado com as pessoas e o Serviço de Caridade: Primeiramente precisamos lembrar que devemos “revisitar a opção pelos pobres”.  Viver a solidariedade nova e antiga, porque ela é o coração do evangelho. É tempo de recordar o que nos diz a diretriz do XVII Plano Arquidiocesano: Despertar a consciência crítica das pessoas para que tenham capacidade de discernir e intervir em sua realidade local. Ser comunidades proféticas e comprometidas com a vida da comunidade. 

No tempo da pandemia, consequência da pandemia e da sua má gestão, aumentou muito o número de pobres: famintos, desempregados, sem teto, etc. As comunidades são chamadas a serem uma presença muito concreta no meio destes desafios. 

O XVII Plano Arquidiocesano usa termos próprios, tais como, organização, participação, acompanhamento, motivação, capacitação, etc. Sugere fortemente um conhecimento mais profundo da Doutrina Social da Igreja. 

Como conclusão, podemos repetir a necessidade de fortalecer as pastorais sociais, organismos e serviços aos pobres e vulneráveis. Contudo, é preciso partir para a concretude da ajuda e auxílio aos pobres. A solidariedade pode se expressar na organização das próprias comunidades em vista do auxílio dos pobres e suas iniciativas específicas.

 

As comunidades são chamadas a serem uma presença muito concreta no meio destes desafios. 

 

5. Continuar o trabalho de reestruturação econômica/pastoral da arquidiocese. A boa gestão dos recursos é a bola da vez. Não é apenas questão de economia, mas deve atingir várias áreas da nossa vida: gestão econômica, gestão patrimonial, gestão do tempo, gestão das capacidades das lideranças e colaboradores, gestão dos espaços, etc. 

É um TODO que precisamos repensar. Especialmente cada um precisa repensar como está usando o seu tempo e suas capacidades a serviço do nosso povo e a resposta que está dando aos desafios enormes que se nos apresentam. Uma Igreja em saída começa, justamente, por esta pergunta. De nada adianta termos ótimos Planos se a disposição e entrega pessoal de cada um não é a melhor possível.

 Temos que continuar estudando três pontos que não estão diretamente no XVII Plano Arquidiocesano, mas que foram definidos como básicos para o bom andamento da pastoral: reordenamento geográfico (decanatos, paróquias, etc); gestão financeiro-administrativa; o reordenamento dos instrumentos de participação e deliberação. Continua atualíssimo o nosso Plano de Ação Evangelizadora!

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

 

Artigo publicado na Revista Comunidade edição julho 2021
Foto destaque: Tiago Queiroz

Com a Carta Encíclica Fratelli Tutti, o Papa Francisco faz uma proposta bem ampla e profunda sobre a Fraternidade e a Amizade Social. Inspirando-se primeiramente em São Francisco de Assis quer falar de um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço. Foi também neste santo que se inspirou para escrever a encíclica Laudato Sii, sobre o cuidado da Casa Comum. No número 6 fala sobre a sua intenção: “Entrego esta encíclica social como humilde contribuição para a reflexão, a fim de que, perante as várias formas atuais de eliminar ou ignorar os outros, sejamos capazes de reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social que não se limite a palavras”(FT 06). 

 

Além disso, o Santo Padre conta que enquanto redigia esta encíclica irrompeu de forma inesperada a pandemia do Covid -19 que “deixou a descoberto as nossas falsas seguranças”(FT 07). Constata que a incapacidade das diversas nações de agirem em conjunto, apesar de estarem superconectadas,  mostrou a dificuldade de resolver os problemas que afetam a todos. 

 

A pandemia da COVID–19 já ultrapassou um ano, ultrapassou 350 mil mortos e milhões de infectados e não dá sinais de arrefecimento. Neste momento, todas as luzes de alerta estão ligadas em relação aos críticos indicadores de agravamento da pandemia no Brasil. E o mundo nos olha com perplexidade. Uma das situações mais constrangedoras e críticas que enfrentamos é a taxa de ocupação dos leitos de UTI com pacientes da COVID – 19, mas também a rapidez do agravamento da crise e do colapso do nosso sistema de saúde.

 

Devido a essa sobrecarga do sistema, os trabalhadores da saúde têm enfrentado uma carga excessiva de trabalho, que resulta em adoecimento. Acrescente-se a insuficiência de quadros para dar conta dessa grande e demorada pandemia, a percepção de que o pessoal da linha de frente da assistência está convivendo com outros fatores de tensão: falta de oxigênio para os pacientes em alguns locais, baixa de estoques de analgésicos, sedativos e bloqueadores musculares usados para a intubação de pacientes em UTIs, etc. Além disso, há muitos que querem negar a existência do vírus e a gravidade da pandemia.

 

A incapacidade das diversas nações de agirem em conjunto, apesar de estarem superconectadas,  mostrou a dificuldade de resolver os problemas que nos afetam a todos 

 

É sabido que cientistas do mundo inteiro vêm orientando que três ações são fundamentais no combate à pandemia: o uso das máscaras e a limpeza constante das mãos; o distanciamento social com lockdown nas situações mais graves; e a vacinação em massa da população. Com relação à campanha de vacinação, os números estão muito aquém do necessário. Falta muito para que o Brasil consiga vacinar os grupos prioritários, tais como, idosos, profissionais da linha de frente, indígenas, indivíduos com comorbidades e profissionais do ensino e das forças de segurança, etc.

 

Assim como o tempo vai passando, as comunidades cristãs também vão trabalhando no sentido de se entender com relação à retomada das atividades religiosas e, certamente, das atividades como um todo. É bom ir se entendendo com várias situações novas que se nos apresentarão: o trabalho das equipes de Pascom em nossas paróquias e comunidades; celebrações on-line; reuniões de organização de pastorais e movimentos on-line; catequeses presenciais e remotas; o problema da sustentabilidade dos trabalhos da Igreja; redescobertas e reestruturações que deverão ocorrer; a importância de uma boa organização ao redor do dízimo; uma grande renovação dos ministérios e ministros; necessidade de trabalhar pela diminuição das polarizações, etc.

 

Que todos sejamos abençoados com a vacina o mais rápido possível.  Que a preservação da vida de todos seja o nosso intento.

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

 

Estamos nos aproximando, mais uma vez, da celebração da verdade fundamental da fé que é a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. De maneira um pouco mais ampla, a celebração do Mistério Pascal inclui também a paixão, a crucificação, o sepultamento e a ascensão de Nosso Senhor aos céus. Na Semana Santa, além de celebrar todas estas verdades, celebra-se ainda a vida da Igreja, sua significância e atuação para levar à salvação que brota destes mistérios todos, à humanidade e às pessoas de maneira particular.

 

A verdade da Ressurreição de Jesus “constitui antes de tudo a confirmação de tudo o que o próprio Cristo fez e ensinou. Todas as verdades, mesmo as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram a sua justificação se ao ressuscitar Cristo deu a prova definitiva que havia prometido, da sua autoridade divina” (CIC 651). Jesus sempre falou a partir desta realidade. Quando admoestava, curava, pregava, ensinava, etc. Em momentos mais centrais até chamava atenção para que tudo fosse interpretado a partir da sua “paixão, morte de cruz e ressurreição”. Significa que a Ressurreição é o grande NOVO da fé. Algo que de fato diferencia a fé cristã de muitos outros modos de conceber a fé.

 

O Catecismo da Igreja Católica é bem categórico ao afirmar: “O mistério da Ressurreição de Cristo é um acontecimento real que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento” (CIC 639). Os textos bíblicos mais destacados são: 1Cor 15, 3-4, onde evidencia a viva tradição da Ressurreição. Lc 24,5-6 mostra que no conjunto dos acontecimentos da Páscoa, o primeiro elemento que se depara é o sepulcro vazio, mas reconhece que ele não constitui uma prova irrefutável.  Os passos rumo ao reconhecimento do fato da ressurreição são constituídos pelas ‘santas mulheres’ (Lc 24,3.22-23), em seguida Pedro (Lc 24,12), o discípulo que Jesus amava (Jo 20,2; Jo 20,8). Também as aparições do Ressuscitado fortalecem o modo “categórico” com o qual fala o Catecismo.

 

“O abalo provocado pela paixão e morte na cruz foi tão grande que os discípulos (ao menos alguns deles) não creram de imediato na notícia da ressurreição” (CIC 643). O Apóstolo Paulo proclama que “se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, vazia é também a vossa fé” (1 Cor 15,14). Por ela a graça de Deus nos é restituída e assim podemos viver uma vida nova. A vida nova “consiste na vitória sobre a morte do pecado e na nova participação na graça” (654). Além disso, a Ressurreição de Cristo é “princípio e fonte da nossa ressurreição futura” (655). 

São verdades que iluminam a vida do homem. Crer em Deus Vivo e atuante na história faz toda a diferença. As intervenções d’Ele sempre nos empurram para a defesa e a construção da vida das pessoas, especialmente os mais pobres. A libertação das amarras que prendem os mais frágeis é missão verdadeiramente evangélica e está em consonância com este Mistério profundo da fé. A Doutrina da Igreja é, justamente, a reflexão e a aplicação no dia a dia da sociedade, de princípios que brotam da fé na Ressurreição do Senhor e que ajudam a realizar o ser humano em toda a sua plenitude de acordo com a sua vocação manifestada no desejo de Deus ao ressuscitar o seu Filho e não de deixa-lo abandonado na morte. 

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

 

Artigo publicado na Revista Comunidade edição março 2021

Fotos: Pe. Lawrence Lew OP

No dia 3 de Outubro de 2020 o Papa Francisco publicou a Carta Encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social. É uma reflexão sobre os ensinamentos de vida que a pandemia da Covid -19 sugere a todas as pessoas, “pois que deixou a descoberto as nossas falsas seguranças (n.7). 

 

Logo no primeiro número cita São Francisco de Assis, em quem se inspira, para propor uma “forma de vida com sabor a Evangelho”. Aprofundando a expressão Fratelli Tutti insiste: “Com poucas e simples palavras, explicou o essencial duma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita” (n. 1). O Santo de Assisque se sentia irmão do sol, do mar e do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram da sua própria carne. Semeou paz por toda a parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes, descartados, dos últimos” (n.2). Cita dois encontros importantes que o Santo Padre teve e que o inspiraram fortemente: “Se na redação da Laudato si tive uma fonte de inspiração no meu irmão Bartolomeu, o Patriarca ortodoxo que propunha com grande vigor o cuidado da criação, agora senti-me especialmente estimulado pelo grande Ímã Ahmad Al-Tayyeb, com quem me encontrei, em Abu Dhabi, para lembrar que Deus «criou todos os seres humanos iguais nos direitos, nos deveres e na dignidade, e os chamou a conviver entre si como irmãos” (n.5). 

 

Foto Vatican Media

Após todas estas inspirações tão amplas, o Papa mostra claramente o seu objetivo com a encíclica: “Neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos o anseio mundial de fraternidade” (n.8). 

 

O conteúdo da encíclica é desenvolvido em oito capítulos: I. As sombras de um mundo fechado; II. Um estranho no caminho; III.Pensar e gerar um mundo aberto; IV. Um coração aberto ao mundo inteiro; V. A política melhor; VI. Diálogo e amizade social; VII. Percursos de um novo encontro; VIII. As religiões ao serviço da fraternidade no mundo. 

 

No primeiro capítulo, o papa faz uma exaustiva análise sobre as sombras no mundo que dificultam uma cultura de fraternidade melhor pronunciada. Lembra que nos últimos anos o mundo está voltando para trás nas questões de integração, dando sinais de regressão e reacendendo conflitos que se esperavam superados; favorece uma perda do sentido da história que desagrega ainda mais; denuncia que não há um projeto para todos e que acontece um verdadeiro descarte mundial em que uns têm mais direitos que outros, especialmente os direitos humanos que não são suficientemente universais. 

 

Ainda no primeiro capítulo, o papa cita a problemática das migrações, das fronteiras, do meio ambiente, etc. Mas ele quer falar, sobretudo, de Esperança: Ela “é ousada, sabe olhar para além das comodidades pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna” (n.55). No segundo capítulo faz uma reflexão sobre o Evangelho do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37). Ali busca a base para falar sobre a fraternidade e a amizade social. Descreve com calma todos os detalhes da parábola colocando a inspiração de tudo o que vai dizer no agir de Jesus Cristo.  Nos capítulos restantes busca indicar caminhos para a construção de um mundo mais aberto para todos e que possam usufruir das muitas possibilidades que a tecnologia avançada nos oferecem.

 

Enfim, a pandemia da COVID-19 nos colocou a todos no mesmo barco. Temos nas mãos uma oportunidade histórica de darmos um salto de qualidade na fraternidade e nas relações sociais entre todos os povos do mundo. No último número o Santo Padre sugere uma oração ao Criador, muito rica em conteúdo e rezando pela causa que propõe na nova Encíclica:

Oração ao Criador

Senhor e Pai da humanidade,
que criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade,
infundi nos nossos corações um espírito fraterno.
Inspirai-nos o sonho de um novo encontro, de diálogo, de justiça e de paz.
Estimulai-nos a criar sociedades mais sadias e um mundo mais digno,
sem fome, sem pobreza, sem violência, sem guerras.

Que o nosso coração se abra
a todos os povos e nações da terra,
para reconhecer o bem e a beleza
que semeastes em cada um deles,
para estabelecer laços de unidade, de projetos comuns,
de esperanças compartilhadas. Amém.

 

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

 

Fotos:  Vatican Media

Artigo publicado na Revista Comunidade da Arquidiocese de Londrina, Edição Novembro de 2021.