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Em mais de 40 países do mundo hoje pessoas são discriminadas ou perseguidas por causa da sua fé

 

Pode não ser uma realidade que enfrentamos no Brasil. Mas é uma realidade com a qual o mundo se depara: a perseguição de cristãos. E mesmo não sendo uma realidade que nos afeta diretamente, é uma realidade que nos diz respeito. Pois, “nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro” (Rm 12, 4-5).

 

Por isso, a Fundação Pontifícia ACN (Ajuda à Igreja que Sofre), promove em todo o mundo o Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos, no dia 6 de agosto. No Brasil, tem parceria com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Um convite a rezarmos em nossas paróquias e comunidades, e também pessoalmente, pela situação dos cristãos perseguidos em todo o mundo. 

 

Neste ano, a celebração ganha mais força ao redor do mundo em função da aprovação, pela Assembleia Geral da ONU, da resolução que estabelece o dia 22 de agosto como o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Atos de Violência Baseada na Religião ou Crença. Segundo a ACN, a resolução da ONU é um primeiro passo para chamar mais atenção para a perseguição religiosa, particularmente a cometida contra os cristãos – até hoje, o grupo de fé que mais sofreu.

 

Dom Manoel João Francisco, bispo de Cornélio Procópio e presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da CNBB, lembra a fala do Papa Francisco de que os mártires de hoje são mais numerosos do que os mártires do início da Igreja. O bispo cita estudo da Conferência dos Bispos Católicos da Comunidade Europeia, que estima que 75% dos atos de intolerância religiosa no mundo são direcionados a cristãos. No domingo de Páscoa deste ano, por exemplo, o Santuário de Santo Antônio, no Sri Lanka, foi alvo de um dos ataques que mataram mais de 200 pessoas.

 

Estudo 

Segundo a ACN, que apoia projetos em mais de 140 países, 38 países hoje no mundo apresentam violações significativas da liberdade religiosa (veja mapa ao lado), ou seja, há grande número de discriminação ou perseguição, de acordo com a análise do relatório da Liberdade Religiosa no Mundo. Muitos outros países não entram na lista por não apresentarem o que a fundação considera de violações significativas.

 

O relatório se debruçou sobre o biênio 2016-2018. Em 2018 constatou-se que em 18 dos 38 países onde há violações significativas, a situação piorou, quatro a mais do que em 2016. “Notou-se uma séria diminuição da liberdade religiosa na China e Índia. Em muitos outros países – incluindo Coreia do Norte, Arábia Saudita, Iêmen e Eritreia – a situação já era tão má que quase não podia piorar”, aponta o relatório.

 

Uma das conclusões do estudo aponta também é que aos olhos dos governos e dos meios de comunicação ocidentais, “a liberdade religiosa está caindo nos rankings de prioridade dos direitos humanos, sendo eclipsada pelas questões de gênero, sexualidade e etnia”.

 

O JC entrou em contato com um casal de missionários brasileiros na China, um dos países onde a perseguição aos cristãos aumentou significativamente (olhar o mapa). Eles preferiram não participar da reportagem, pois consideram arriscado divulgar o trabalho ou falar abertamente sobre ele nas redes sociais.

 

Na próxima edição do JC, traremos uma entrevista com a missionária claretiana, irmã Dulcinea Ribeiro de Almeida, sobre a situação que enfrentou quando viver nas Filipinas.

 

Juliana Mastelini Moyses
Pascom Arquidiocesana

 

Matéria publicada na edição de agosto de 2019 do Jornal da Comunidade (JC) da Arquidiocese de Londrina.

 

Mapa: ACN

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