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A história de um Tobias, por padre Chiquinho

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“Tobias saiu para procurar uma pessoa que pudesse ir com ele até a Média e conhecesse o caminho. Logo que saiu encontrou o anjo Rafael bem à frente dele, mas não sabia que era um anjo de Deus” (Tb 5,4). Refletindo e analisando melhor o caminho é que descubro os numerosos anjos que desde os primeiros momentos até o presente dia animaram os passos e mostraram a direção certa. A mãe, com o 7º filho no colo, com a Alemanha em plena desintegração econômica e política, consequências de uma guerra suicida (1914 – 1918), soube firmar a família na fé tradicional.

Lembro-me do professor de matemática que nos anos 1948 – 50, repetidas vezes trouxe para o aluno subnutrido um reforço alimentar. Inesquecível o sacerdote da vila vizinha, ele mesmo sendo um refugiado, ou melhor, expulso de sua terra em 1945, junto com outros três milhões de alemães. Conseguiu reunir um grupo de estudantes e celebrar com eles a Santa Missa às 6h da manhã com a Bíblia na mão, na época absoluta novidade. Fascinava-nos com seu jeito alegre a traduzir a Palavra em ação missionária. E os colegas do ginásio estadual, formandos de 1950. Durante 50 e tantos anos nunca deixaram de depositar sua oferta da “Adveniat” na conta de “seu” padre.

Grato estou ao meu primeiro bispo Dom Geraldo Fernandes que por seus conselhos e exemplo introduziu-me ao significado do “Abba-Pai”. Inesquecível a figura do superior padre Carlos Probst SAC. Seu profundo respeito ao fundador Vicente Pallotti e sua obra me abriram de vez os horizontes para sentir a atualidade desse místico e missionário.

Ao longo de 55 anos de ininterrupta presença na Igreja de Londrina posso dizer que aqui encontrei minha segunda pátria, e nos irmãos sacerdotes juntamente com meus bispos minha segunda família. Neste ano dedicado ao povo de Deus e seus leigos e leigas, um especial momento aos meus irmãos e irmãs da Zona Norte da cidade, Vivi Xavier, Parigot II e III, Jardim Palmas e Chefe Newton. Na época dos movimentos leigos, Cursilho, Renovação, MFC, o Espírito Santo criou nova primavera, pé no chão e mão na massa. Em 20 anos ação sem trégua, juntos conseguimos reunir os mutuários em três comunidades com todos os recursos necessários para os serviços pastorais caminharem fortes. Em duas igrejas existe uma placa comemorativa com o nome de um missionário-irmão silencioso, anjo da guarda em todos os momentos: Mons. Bernardo Gaffá.

Junto à ação pastoral nas igrejas não me furtei do amparo aos menos favorecidos fundando em 1987 a Associação “Ano 53”, entidade filantrópica mantenedora do Centro de Educação Infantil “Maria Helena de Castro Costa Januário” com duas unidades em funcionamento atendendo hoje 240 crianças de 0 a 5 anos. Tivemos o apoio na época de amigos da Paróquia Nossa Sra. Rainha dos Apóstolos e de vários pontos da cidade, patrocinado pelo Sr. Dirceu Adelei Januário, que cedeu o nome de sua falecida esposa a nossa instituição, aquela que fora grande colaboradora em nossas obras sociais, carinhosamente chamada de MALENA. Graças a tantos amigos que nos acompanham fielmente nestes 30 anos e à direção pedagógica da Profa. de História e Pedagoga Joelina Rodrigues da Silva, com seu eficiente quadro de funcionários, o CEI Malena Januário se destaca com eficiência junto aos órgãos governamentais.

Assim, o Tobias no fim de sua viagem, de joelhos, pensa nos fiéis anjos que lhe animaram os passos rumo à casa do Pai.

Pe. Francisco Schneider SAC
Vigário da Nossa Senhora de Nazaré – Decanato Norte

Em 2016 padre Chiquinho celebrou 60 anos de ordenação sacerdotal (foto Brayan Lima)

 

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