
Já estamos vivendo o Jubileu de Esperança, com uma programação muito intensa que está acontecendo durante todo o Ano de 2025 na Arquidiocese de Londrina. Este foi proclamado por Bula do Papa Francisco em maio de 2024. O tema estabelecido é “Peregrinos de Esperança” e o Lema: “Spes non confundit” (Rm 5,5) – A esperança não decepciona. Mesmo que o Ano Jubilar já esteja em andamento, continua o desafio de fazermos compreender, com palavras simples, “o que é a virtude da Esperança”.
Vamos buscar a primeira resposta no próprio Catecismo da Igreja Católica: “A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo” (CIC 1817). Além de definir a Esperança, indica a sua concretude: “Ela corresponde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens, purifica-as e ordena-as para o Reino dos céus; protege contra o desânimo; sustenta no abatimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O ânimo que a esperança dá preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade” (CIC 1818).
Durante seu breve pontificado, João Paulo I dedicou uma catequese à esperança que continua muito valiosa nos nossos dias. Neste texto maravilhoso, afirma que:
“é uma virtude obrigatória para todo cristão” que nasce da confiança em três verdades: “Deus é onipotente, Deus me ama imensamente e Deus é fiel às promessas. E é Ele, o Deus da misericórdia, que acende em mim a confiança; por isso não me sinto nem só, nem inútil, nem abandonado, mas integrado num destino de salvação, que um dia virá a levar-me ao Paraíso” (Audiência Geral de 20 de setembro de 1978).
Eis que a Esperança Cristã nos faz compreender que a nossa vida não é apenas para este mundo, mas nos orienta para a eternidade. A esperança é aquela virtude que nos faz esperar Deus e Suas promessas. Assim unem-se a fé e a esperança. Para ter esperança é necessária a fé. É necessário conhecer Deus, suas características, seu imenso amor pelo ser humano. É preciso entender como ele agiu na história para inculcar no coração da humanidade a sua vinda como Salvador. A fé no seu desenvolvimento, provoca o aperfeiçoamento da virtude da esperança. A esperança, por sua vez, faz com que todas as coisas da vida e o mundo sejam colocados nos seus devidos lugares. Ela fornece a meta que explicita para onde todo homem e mulher devem direcionar a própria vida. Esperar em Deus não é uma atitude passiva, mas ativa porque se coloca a serviço na vivência dos valores do Reino. Ao mesmo tempo que vivencio, colaboro na construção do Reino de Deus. Através dela consigo ver o mundo com o olhar de Deus.
O Papa Francisco utiliza a sugestiva imagem da âncora para compreender a estabilidade e a segurança que possuímos no meio das águas agitadas da vida se nos confiarmos ao Senhor Jesus. “As tempestades nunca poderão prevalecer, porque estamos ancorados na esperança da graça, capaz de nos fazer viver em Cristo, superando o pecado, o medo e a morte. Esta esperança, muito maior do que as satisfações quotidianas e as melhorias nas condições de vida, transporta-nos para além das provações e exorta-nos a caminhar sem perder de vista a grandeza da meta a que somos chamados: o Céu.” (Spes non confundit, 25).
A virtude da Esperança nos anima para o bem. Nos anima também a aderir ao Reino de Deus, colaborando na construção de um mundo melhor, vivendo os valores do reino de Deus. Conhecer Jesus e fazer dEle uma experiência pessoal são elementos essenciais para compreendermos a incidência que a fé deve ter sobre a nossa vida e nossas decisões. No rito de abertura do Ano Jubilar, assim rezamos: “Ó Pai, esperança que não decepciona, princípio e fim de todas as coisas, abençoai o início da nossa peregrinação atrás da cruz gloriosa do vosso Filho neste tempo de graça; curai as feridas dos corações dilacerados, soltai as correntes que nos mantêm escravos do pecado e prisioneiros do ódio e concedei ao vosso povo a alegria do Espírito, para que caminhe com renovada esperança em direção à meta desejada, Cristo, vosso Filho e nosso Senhor”.
Peregrinemos firmes no seguimento do Senhor! Sejamos discípulos missionários em crescimento! Pois a Esperança não desilude ninguém!
Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina
Artigo publicado na edição de janeiro e fevereiro da Revista Comunidade, publicação bimestral da Arquidiocese de Londrina (desde 1989).
Foto: Guto Honjo