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A amizade!

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Celebrar o dia internacional da Amizade, num tempo que vivemos em distanciamento social-pandêmico, parece ter valor o ensinamento de cuidado do outro, e não só quando estiver próximo. A amizade é uma virtude que une as almas com um doce laço de amor fazendo de muitas uma só. “La amistad es la virtude que une las almas com el Dulce lazo del amor havendo de muchas uma sola”. O autor desta definição, Santo Elredo, faz uma pergunta que ilustra bem a vida de amizade: “… quer coisa mais suave, mais sublime do que poder falar com o amigo, como a pessoa fala consigo mesma?”. Quando temos a presença de um amigo, sem dúvida, é um grande motivo para transbordar a alegria e esta alegria, este amor benévolo que sentimos, não é passageiro: “a amizade que pode acabar, nunca foi verdadeira”. Sabemos que são poucos os que possuem um verdadeiro amigo; talvez até o próprio sentido da palavra já esteja se desviando…

 

No Evangelho (Jo 11) encontramos a amizade de Jesus por Lázaro de Betânia… Lázaro era amigo de Jesus e irmão de Marta e de Maria. Lázaro caiu doente em Betânia. As irmãs mandaram dizer: “Senhor, aquele a quem amas está enfermo”. E Jesus fala aos discípulos: “Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo”. Quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro estava no túmulo; e muitos tinham vindo até as irmãs de Lázaro para as consolar da morte do irmão. Quando Jesus viu a comoção deles, Jesus se comoveu profundamente. E emocionado, perguntou: “Onde o pusestes?” “Senhor, vem ver” disseram-lhe. Os judeus comentavam: “Eis como ele o amava”. Jesus se aproximou do sepulcro e gritou: “Lázaro, vem para fora”! “Desatai-o e deixai-o andar”.  Que esplendor! E é com profunda razão que os judeus exclamaram: “eis como Ele o amava”. E ao dizer “Vem para fora”, Lázaro ressuscita!

 

A amizade dada no ensinamento das Sagradas Escrituras impulsionou muitas outras amizades tocadas pelo amor mútuo, como São Gregório de Nazianzo e São Basílio Magno. Ambos almejavam o saber em Deus, e eram em tudo um para o outro: moravam juntos, faziam as refeições à mesma mesa, aspiravam os mesmos ideais e cultivavam cada dia mais estreita e firme amizade. Não possuíam inveja, e o próprio Gregório escreve: “ambos lutávamos, não para ver quem tirava o primeiro lugar, mas para cedê-lo ao outro… cada um considerava como própria a glória do outro… parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos… cada um se encontrava no outro e com o outro”. Os dois tinham como tarefa e objetivo alcançar a virtude, “… éramos um para o outro a regra e o modelo para discernir o certo e o errado”.

No entanto os grandes e verdadeiros amigos, aqueles que nos deixam quase que sem palavras diante de seus atos de benevolência, são realmente muito especiais. Não os queremos perder, não porque estejamos apegados a eles, mas devido à união de alma que aconteceu… E assim como se diz “os verdadeiros amigos são duas pessoas que se unem para escalar juntas uma mesma montanha”.

 

Enfim, o clássico dizer de  Exupery: “se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz…” No amigo, há amor, há esperança de que aquele sonho mais utópico venha a se realizar. Por isso, se alegra com a vinda do amigo; e espera! Esperamos o amigo para um abraço, assim que puder novamente nos aproximar. Enquanto isso, precisamos ter presente a oração do livro do Eclesiástico: “um amigo fiel é poderosa proteção: quem o encontrou, encontrou um tesouro. Não há nada que se compare, é um bem inestimável. Um amigo fiel é um bálsamo de vida.” (Ecl 6, 14).

Frei Wainer José de Queiroz, FMM
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, Decanato Oeste

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