Depois de dois anos de distanciamento, uma ação necessária para nos reconectar com Deus e com o próximo

A pandemia da COVID-19 trouxe inúmeras restrições e adaptações em todos os aspectos da sociedade. Não foi diferente nas igrejas. Missas e reuniões apenas on-line, comunhão espiritual, suspensão de atendimentos e atividades paroquiais e pastorais, enfim, muitas interrupções. Tivemos como aliada nestes tempos difíceis, a tecnologia. Com ela pudemos estar “perto”, de alguma forma, das celebrações e atividades realizadas em nossas paróquias, como as lives, terços, formações e novenas. A Igreja se fez nas casas, e sim, foram momentos de união e de exaltação da fé. Essa realidade tecnológica deverá permanecer e continuar a enriquecer nossa caminhada, mas se faz necessário voltar.

É nos encontrando com os irmãos, escutando a palavra, na graça da reconciliação, refletindo a homilia e recebendo a Eucaristia que mantemos o coração aquecido no amor do Senhor. Foi Deus quem nos sustentou nesses tempos desafiadores e agora nos alegramos em poder retomar às atividades tão necessárias em nossas comunidades. Estamos vivendo um tempo especial em nossa Igreja, o Tempo Pascal, e acabamos de viver a Páscoa do Senhor, que, após dois anos, tivemos a alegria de participar das programações tradicionais em comunidade.

Para o frei Wainer Queiroz, FMM, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, no Decanato Oeste, o Tempo Quaresmal fez ressoar um forte convite: “Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração…” (Jl 2, 12). “Urge refletir dois aspectos dessa convocação do Senhor, desse VOLTAR. Primeiramente, o apelo que é próprio da Quaresma, voltar para o Senhor de todo coração, com as práticas quaresmais, jejuns, orações, esmolas e todos os exercícios benéficos para a nossa conversão.” O frei cita o exemplo das procissões de penitência, vias-sacras, que neste ano foram possíveis devido à baixa da pandemia.

Frei Wainer ainda chama a atenção para outro aspecto a ser refletido, “voltai para mim…” diz a Palavra de Deus, “seria um voltar não só de coração, mas, também fisicamente. Com a pandemia, tivemos que praticar o distanciamento social, que em muitos casos se transformou num verdadeiro isolamento social-comunitário.” Esse isolamento pode ter gerado uma reaproximação do núcleo familiar, mas causou um distanciamento e uma certa indiferença pelo outro que não fazia parte do núcleo familiar, causado pelas precauções e cuidados que deveriam ser tomados para com a COVID-19.

“O distanciar-se do outro, estabelecendo um fechamento e uma restrição ao pequeno grupo de relacionamentos presenciais, esse fechamento precisa ser superado nesse momento de retorno. É necessário se abrir ao próximo. Retornar às atividades gerais e também retornar à Igreja, já estamos percebendo a possibilidade concreta de um voltar a participar das missas, dos encontros, da vida cotidiana da comunidade de modo presencial; na alegria de reencontrar o irmão de comunidade”, reforça o frei. 

Como bem conhecemos a parábola do filho pródigo em Lc 15,11-32, podemos nos reconhecer nesse filho, claro que por motivos distintos, mas o Pai nunca nos abandonou, entendeu as nossas razões, ouviu nossas angústias e pedidos e agora nos espera ansioso de braços abertos. Cuidemos do nosso coração e não nos acomodemos, um cristão não pode se acomodar. Assim como precisamos continuar cuidando da nossa saúde, do trabalho, das pessoas que amamos, é necessário cuidar da nossa espiritualidade, nos reconectar com a mãe Igreja, tão rica nos ensinamentos que nos aproxima do plano de Deus.

Segundo o frei, a comunidade paroquial é um elo de comunhão e de ligação com Deus. Na comunidade reunida encontramos com o Senhor e com os irmãos de caminhada em direção a Deus. “Parece urgente retornar. É tempo de se encher de esperança, retomar as reuniões pastorais, projetos suspensos e olhar o próximo. Tudo com amor, com a certeza em Jesus de que novas coisas têm o Senhor para nós.”

E você, pronto para voltar ao encontro do Senhor?

Gisely Siena Leite
Pascom Arquidiocesana

Foto: Terumi Sakai