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Nota Pública: “A vida humana não tem preço”

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Padres da Arquidiocese de Londrina que compõe uma parcela do grupo dos Padres da Caminhada do Paraná escreveram uma nota pública sobre pandemia da covid 19 em Londrina e toda a região.

 

Segue a nota com as assinaturas:

 


 

A Vida humana não tem preço.

Nós, padres de Londrina, parcela do grupo Padres da Caminhada do Paraná,

Sabemos que Jesus Filho de Deus veio ao mundo para que todos tivessem vida e a tivessem em abundância. (Jo10,10). Que a sua passagem por este mundo, ungido pelo Espírito, foi descrita por Pedro nos Atos, como uma vida “fazendo bem” (At10,38). Que derramou o seu sangue por amor a todos sem exceção, nos dando uma dignidade de Filhos de Deus (Jo 1,12). Acreditamos, portanto, que a vida é mais do que um valor. É um bem inestimável. Ela tem a marca do criador que viu que tudo estava bem feito e era muito bom (Gn1.31) e do seu Filho Jesus que fazia bem todas as coisas (Mc7,32)

Reconhecemos com pesar e dor, que a vida no Brasil vive hoje seu maior risco. Seja pelas condições precárias do nosso povo e principalmente por uma Pandemia em completo descontrole sem nenhuma coordenação central. Ao nos aproximarmos dos 300 mil mortos, constatamos um colapso total no Sistema Público e Particular da Saúde, sem nenhuma perspectiva de vermos melhorar o quadro nos próximos dias.  Com um presidente da república debochando da doença desde o primeiro momento, sem nenhum plano de vacinação oportuno e vendo agora a escassez da vacina e dos insumos golpearem o país e o mundo. O desprezo é tanto que em seis dias não temos um Ministro da Saúde que possamos chamar de fato e de direito! Milhares de vidas foram perdidas pela inércia, pelo crime da omissão, pela politização da pandemia! O Brasil não merecia uma conjugação tão grande de fatores nefastos de uma vez só!

Com toda esta situação, é com imenso pesar e indignação, que vemos líderes religiosos atrelados a políticos de plantão e alheios ao sofrimento dos seus concidadãos, promovendo passeatas e convocando aglomeração de pessoas (ainda que de carro), sem nenhuma empatia com os profissionais da saúde da linha da frente, extenuados por um ritmo de trabalho alucinante. Bem como nenhuma compaixão pelos familiares que já perderam seus entes queridos. Demonstram um equívoco perverso e iníquo ao esbravejarem pela defesa da democracia e da liberdade quando no fundo querem calar imprensa, desrespeitam as Instituições do Estado de Direito e em alguns casos avocam uma intervenção militar, que nos remete a um período da nossa história onde as liberdades individuais e coletivas, não só foram negadas, mas reprimidas.

Nós, ministros ordenados, protestamos veementemente contra os que desejam levar uma vida normal em plena mortandade! As experiências internacionais e até aqui em nosso país, já provaram sobejamente que lockdowns regionais ou nacionais são a única saída para diminuir as internações. A economia sacrificada e principalmente os cidadãos vulneráveis, devem ter da parte do Estado o socorro adequado. Sem parcimônia, com coragem. Com endividamento se necessário for. Portanto exigimos que o Estado, nas suas três instâncias, promova projetos de auxílio emergencial, enquanto durar a pandemia!

Aproveitamos também para reafirmar a convicção de que as Igrejas não devem reclamar a essencialidade dos seus serviços durante a calamidade que atravessamos. Existem inúmeras formas de serem o que de fato são, sem celebrações presenciais! Em comunhão com muitos nossos irmãos evangélicos, clamamos ao Senhor que nos dê força e coragem para enfrentarmos esta tempestade e apresentamos a nossa solidariedade e preces aos irmãos que estão nos hospitais e também aos familiares que já perderam as pessoas que muito amavam. Uma vida não tem preço.

Pe. Dirceu Fumagali 

Pe. José Cristiano Bento dos Santos

Pe. Paulo Martins

Pe. Manuel Joaquim Santos

Pe. Altair Manieri

Pe. Andre Luís de Oliveira

Pe. Jorge pereira de melo

Pe. Mauro Pedrialli

Pe. Luis Laudino

Pe. Jaime Alonso Gallo

Pe. Carlos Escobar

Pe. Alessandro Zanchi

Pe. Camilo Didone

Pe. Joao Pires

 

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