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‘Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi’ (Jo 15,16)

Tema escolhido pelo seminarista Caio Caldeira, ordenado diácono no dia 8 de dezembro, ressalta a natureza sobrenatural do chamado de Deus.

 

O seminarista Caio Matheus Caldeira da Silva foi ordenado, no dia 8 de dezembro, diácono transitório da Igreja de Londrina, para o serviço ministerial da Palavra e da Caridade, pela imposição dos mãos do arcebispo dom Geremias Steinmetz. A Santa Missa foi na Capela Sagrada Família, da Paróquia Santa Rita de Cássia, Decanato Leste, às 15 horas.

 

Nascido em Bela Vista do Paraíso no dia 18 de julho de 1993, Caio cresceu e foi criado na cidade de Sertanópolis, onde foi paroquiano da Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus. Fez seus estudos nos seguintes seminários, 2011– Seminário Menor Propedêutico “São José” (Londrina), 2012-2014 – Seminário Maior Filosófico “Dom Albano B. Cavallin” (Maringá), 2015-2018 – Seminário Maior Teológico “São Paulo VI” (Londrina) e no ano de 2019 – Ano de Síntese Pastoral – Paróquia Santa Rita de Cássia, Decanato Leste.

 

O seminarista conta que sentiu o chamado de Deus para servir aos sete anos de idade. “Uma senhora chamada Marta Reis passou por minha casa e me convidou a participar de uma dança infantil em uma missa da comunidade. Depois daquele momento senti uma profunda curiosidade pela Igreja e pela roupa diferente que o padre usava nas celebrações”, lembra. 

 

Depois disso foi perguntar ao seu pároco na época, padre Benedito (missionário do PIME) o que era a Igreja e qual era a função dela no mundo. Segundo o seminarista, o padre de uma forma muito carinhosa e pedagógica lhe disse que a missão da Igreja no mundo era salvar as pessoas pelo anúncio de Jesus Cristo à semelhança de um super herói. “Com o passar dos anos fui amadurecendo esse chamado pelo acompanhamento vocacional e pela participação ativa nas pastorais e movimentos. O testemunho dos padres missionários do PIME foram essenciais para fazer com que esse chamado pudesse crescer e aumentar cada dia mais”.

 

Os anos de formação não se reduzem ao estudo acadêmico, diz Caio, e a formação sacerdotal é um conjunto de várias áreas que buscam sobretudo a edificação de um homem integral que possa ser pastor. “Cada ano de formação foi um ano de crescimento, amadurecimento e de santificação. Foram anos muito bons e frutíferos onde aprendi amar muito mais a Igreja do que já amava antes de ingressar no seminário. E hoje observo que os empenhos investidos em oração, estudo e convivência fazem o ministério hoje mais suportável, tranquilo e prazeroso”, diz.

 

Os desafios pessoais, de acordo com o seminarista, sempre existem em todas as vocações e são eles que fazem a caminhada mais autêntica e mais dinâmica. “Uma das coisas que tive de abrir mão foi estar com a minha família e também ter que deixar a comunidade paroquial de Sertanópolis à qual eu era muito afeiçoado. Porém, hoje fazendo uma síntese destes quase dez anos de seminário percebo que todos os desafios e provações foram férteis para me fazer um homem mais santo e pastor.”

 

Já para os desafios que terá pela frente como sacerdote, o seminarista acredita que será o próprio mundo. “Um mundo que rompeu com a cultura dos valores éticos, morais e espirituais, onde o homem passou a ser parâmetro para si e por muitas vezes esqueceu e excluiu Deus e todos os conteúdos metafísicos. Vivemos imersos em uma cultura que não dá mais espaço para Deus e para a Igreja. Neste sentido, como futuro padre terei o desafio de fazer com que a Boa Nova de Cristo seja conhecida na sua autenticidade e principalmente que ela seja esclarecida diante de uma cultura que nos impele dar as razões de nossa fé”, acredita.

 

O foco do seminarista  na missão é tornar cada vez mais Jesus conhecido, amado e seguido, conta ele. “Proporcionar que as pessoas tenham um verdadeiro encontro com Cristo para assim gerar uma comunidade fiel que é discípula e missionária.” Para atrair mais ovelhas, segundo ele, é necessário um autêntico testemunho de seguidor de Cristo. “Foi assim que os apóstolos fizeram com que Cristo fosse mais conhecido, amado e seguido por milhões de pessoas. E com eles deu certo. Espero que Deus me dê a graça de cada dia mais crescer neste autêntico testemunho para atrair mais pessoas para Cristo e segui-lo”.

 

Seu sonho, enquanto diácono transitório, é fazer a vontade de Deus em sua vida e com seu testemunho poder anunciar Cristo Jesus ressuscitado. “Fazendo assim com que Jesus seja cada vez mais conhecido e amado por todos. Esse deve ser o desejo de todas as vocações dentro da Igreja”. Ele diz que pretende conduzir seu ministério sempre com muita oração, prudência, discernimento, obediência e principalmente comunhão. “Sem esses pilares qualquer ministério é arruinado. É sempre necessário também ter a profunda convicção que quem conduz o nosso ministério é o Espírito Santo. Ele é o protagonista. Como nos diz o evangelho somos apenas servos inúteis, fizemos o que deveria ser feito. Pois, a obra não é nossa, mas de Deus.

 

Sua visão em relação à carência de novos sacerdotes é de que as vocações existem, mas há falta de uma cultura vocacional. “O Senhor nunca desampara a sua messe. Sempre escuto nas paróquias por onde passei jovens rapazes que expressam o chamado de Deus para as suas vidas. Porém, o que nos falta é o cultivo das vocações, ou seja, a criação de uma cultura vocacional que seja personalizada e afetiva com os jovens”. Caldeira acredita que é necessário que todas as vocações sejam acompanhadas principalmente pelos sacerdotes, pois eles são o grande “outdoor vocacional”. “Todo chamado vocacional brota do coração de Deus, mas por muitas vezes esse chamado é materializado em uma vocação já existente. Quando criança tive o grande testemunho dos grandes missionários do PIME, Pe. Benedito Libânio de Souza e Pe. Antônio Turra que incentivaram, acompanharam e me ajudaram a amadurecer no chamado à vida sacerdotal que recebi”, finaliza.

Waurides Alves
PASCOM Arquidiocesana

 

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Fotos: Terumi Sakai e Renilson Guimarães

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