Palavra do Arcebispo

Mês Missionário e mês do Sínodo dos Bispos

O mês de outubro quer nos animar na realização das atividades missionárias no Brasil e no mundo. Alinhados com a Campanha da Fraternidade, que refletiu sobre a superação da violência, celebramos o mês missionário com o tema: “Enviados para testemunhar o Evangelho da paz” e o lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). A primeira tarefa do missionário é ficar com Ele para deixar-se conformar pela Sua identidade. Ao sermos enviados, não anunciamos a nós mesmos e a nossos projetos, mas ao Evangelho, boa notícia de salvação para todos.

 

Todos nós temos possibilidade de testemunhar. Na Evangelli Gaudium, o Papa ressalta que “Eu sou uma missão de Deus nesta terra, e para isso estou neste mundo”, 273). Na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate chega a afirmar: “Não é que a vida tenha uma missão, mas a vida é uma missão” (27). Ser missionário está na ordem do ser, da identidade, da essência e é projeto de vida, pois nos envolve totalmente. Nesse sentido, o mês missionário ressalta o valor do testemunho num mundo marcado por tantas formas de violência e tem força eloquente. Ressaltando a missão de cada pessoa, mostra que “Cada santo é uma missão por excelência” (Gaudete et Exsultate ,19). Assim, mostra que a missão é questão de vida para a Igreja e também para os cristãos, que anunciam o evangelho com a vida.

 

Além de ser o Mês Missionário, o mês de outubro guarda ainda outro tesouro que pouco a pouco será conhecido por toda a Igreja: O sínodo dos Bispo sobre os Jovens. Algumas reflexões lindas já começam a aparecer no sentido de despertar a nossa sede para beber desta fonte. No discurso de abertura o Papa Francisco diz, nas primeiras palavras:Ao entrar neste Auditório para falar dos jovens, já se sente a força da sua presença, que exala positividade e entusiasmo capazes de invadir e alegrar não só este Auditório, mas toda a Igreja e o mundo inteiro. Por isso mesmo, não posso começar sem vos dizer obrigado!”.

 

 Fala novamente em reconhecimento da importância da presença dos jovens: “Agradeço-lhes por terem querido apostar que vale a pena sentir-se parte da Igreja ou entrar em diálogo com ela; vale a pena ter a Igreja como mãe, como mestra, como casa, como família, capaz – não obstante as fraquezas humanas e as dificuldades – de fazer resplandecer e transmitir a mensagem sem ocaso de Cristo; vale a pena agarrar-se à barca da Igreja que, mesmo através das tempestades implacáveis do mundo, continua a oferecer a todos refúgio e hospitalidade; vale a pena colocar-se à escuta uns dos outros; vale a pena nadar contracorrente e aderir a valores altos, como a família, a fidelidade, o amor, a fé, o sacrifício, o serviço, a vida eterna”.

 

O Santo Padre se refere ao Sínodo como exercício eclesial de discernimento e convida a “falarem com coragem e parresia, aliando liberdade, verdade e caridade”. Como já disse em outras oportunidades “à coragem de falar deve corresponder a humildade de escutar”. Por isso é necessário sermos sinal de uma “Igreja à escuta e em caminho”.  “Olhando para frente deixar para trás preconceitos e estereótipos”. Logo na sua primeira manifestação fala de alguns problemas que espera superar com o Sínodo e no diálogo com as novas gerações: o clericalismo, que ele vê como raiz de muitos males na Igreja e a necessidade de “curar o vírus da autossuficiência e das conclusões precipitadas de muitos jovens”. Destes males precisamos pedir perdão e, sobretudo, trabalhar para que não se repitam.

 

Já no fim do seu discurso, convida para a esperança cristã: “não nos deixemos tentar pelas profecias de desgraças, não gastemos energias a contabilizar falências e recordar amarguras, mantenhamos o olhar fixo no bem que muitas vezes não faz barulho, não é tema dos blogues nem chega às primeiras páginas dos jornais, nem nos assustemos diante das feridas da carne de Cristo, sempre infligidas pelo pecado e, não raramente, pelos filhos da Igreja”. Recorda a tarefa do próprio Sínodo: “fazer germinar sonhos, suscitar profecias e visões, fazer florescer a esperança, estimular confiança, faixar feridas, entrançar relações, ressuscitar uma aurora de esperança, aprender um do outro, e criar um imaginário positivo que ilumine as mentes, aqueça os corações, restitua força às mãos e inspire aos jovens – a todos os jovens, sem excluir nenhum – a visão dum futuro repleto da alegria do Evangelho”.

 

Que o Espírito Santo nos faça compreender todo o significado deste mês de outubro. Mês Missionário e Mês do Sínodo dos Bispos para os Jovens.

 

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo de Londrina

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