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Dom Geremias destaca os principais assuntos discutidos na 39ª Assembleia do Povo de Deus do Paraná

Dentre os temas tratados na 39ª Assembleia do Povo de Deus do Paraná (Regional Sul 2 da CNBB), realizada em Curitiba entre os dias 21 e 23 de setembro e que reuniu cerca de 120 pessoas, entre bispos, padres coordenadores da Ação Evangelizadora, leigos ligados às Pastorais Sociais e coordenadores regionais, o arcebispo dom Geremias Steinmetz, vice-presidente do Regional Sul 2, elenca sete assuntos que ocuparam os centros das discussões.

Neste ano o tema da assembleia foi “O Protagonismo Laical no Serviço à Vida Plena”, com assessoria do professor Cesar Augusto Kuzma, doutor em Teologia pela PUC-Rio. Da Arquidiocese de Londrina participaram o arcebispo dom Geremias Steinmetz; padre Evandro Delfino, coordenador da Ação Evangelizadora; e as leigas Isabel Diniz, da Comissão Pastoral da Terra (CPT); e Cristina Coelho, coordenadora estadual da Pastoral Carcerária na questão da mulher presa. Durante uma das celebrações da assembleia o casal Pércio Pereira Vitória e Marcia do Rocio Pereira Vitória receberam o envio à Missão Beato Paulo VI, na África.

Dom Geremias, que é vice-presidente do Regional Sul 2 da CNBB, destacou os principais assuntos discutidos na assembleia.

 

Laicato

A grande temática da assembleia foi o protagonismo dos leigos a serviço da vida plena. “Unimos a quinta urgência da CNBB, a Igreja a serviço da vida plena para todos, com o Ano do Laicato. Como os leigos podem continuar respondendo hoje a essa grande questão da evangelização, dos ministérios e da presença do leigo católico na sociedade e na Igreja.”

 

Missão Beato Paulo VI, na Guiné-Bissau

Na assembleia, os bispos, coordenadores e leigos fizeram uma análise da Missão Beato Paulo VI, na Guiné-Bissau, país da África Ocidental mantida pela Igreja do Paraná. Foram debatidos a respeito da questão econômica, das construções que estão sendo feitas, e também as pessoas necessárias para manter a missão no futuro.

“A missão continua se desenvolvendo, a gente continua bancando construções para que a missão se desenvolva, especialmente nessa área da educação, da saúde e, sobretudo, da evangelização e da formação da comunidade. Uma das boas notícias que vem de lá é que já são mais de 200 crianças participando da catequese, com formação catecumenal, com formação a partir da Palavra de Deus, da liturgia. Assim eles vão participando, vão se formando novos cristãos naquela comunidade.”

Dom Geremias também destaca o envio do casal Pércio e Márcia à Missão Beato Paulo VI. O casal de Curitiba passou três meses em experiência na África e a partir de 20 de outubro retornará para um período de pelo menos dois anos de missão. “Foi um momento muito bonito, de muita emoção e de ternura em que estava presente a família deles.”

 

Ação Evangelizadora Cada Comunidade uma Nova Vocação

A ação Cada Comunidade uma Nova Vocação, do Regional Sul 2 da CNBB, também teve um espaço importante na assembleia. Segundo dom Geremias, o projeto está prosseguindo bem, agora tem inclusive a adesão de todos os regionais da CNBB e de diversas dioceses do Brasil. “Também nos trouxeram uma notícia interessante de que houve interesse de dioceses de outros países, especialmente da Alemanha, da América Latina, para também desenvolverem esse projeto de evangelização.”

Os bispos também decidiram abrir espaço nos depoimentos divulgados pela campanha para as vocações leigas, “que é o caso do matrimônio e tantos ministérios leigos que a Igreja tem que também precisam de pessoas”, conclui.

 

Campanha da Fraternidade 2019

A Campanha da Fraternidade 2019 tratará sobre as políticas públicas, “Fraternidade e Políticas Públicas” será o tema. Dom Geremias explica que este será um trabalho a que a Igreja se dedicará não só em 2019, mas também nos próximos anos. “Atendendo a uma demanda interessante da Igreja aqui no Brasil que é exatamente a participação dos cristãos católicos sobretudo nos conselhos de direito dos diversos municípios. Conselho de direito das crianças, dos idosos, das mulheres, dos jovens, conselhos municipais de saúde, de segurança, assim por diante, onde muitas vezes falta a palavra da Igreja. Então haverá uma formação mais profunda da Igreja, dos católicos no Paraná inteiro, que participam desses conselhos para que tenham maior conhecimento da doutrina da Igreja sobre as diversas questões, sobre a Doutrina Social da Igreja sobretudo, que indica a construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária.”

 

Sínodo da Amazônia

Outro assunto abordado na Assembleia do Povo de Deus foi o Sínodo para a Amazônia, convocado pelo Papa Francisco para outubro de 2019, com o objetivo de encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, sobretudo dos indígenas; e também por causa da crise da floresta amazônica.

“Conversamos bastante sobre o Sínodo da Amazônia”, explica dom Geremias. “Uma maneira também de nós participarmos um pouquinho desse marco da evangelização na Amazônia. Nós percebemos que a Igreja na Amazônia não diz respeito só à Amazônia, mas a todo Brasil. Nós aqui no sul do país somos convidados, convocados a constantemente colaborarmos na evangelização na Amazônia. Nós aqui em Londrina temos três padres no Macapá, mas a gente com certeza vai precisar se dedicar mais, temos experiências missionárias em paróquias de Londrina inclusive que fazem missão em dioceses da Amazônia. Isso tudo é muito bom, mas com certeza nós deveremos crescer nessa área.”

 

Pastoral do Migrante

A Pastoral dos Migrantes foi um dos temas mais presentes nas discussões da assembleia, em que se pode constatar como o Paraná tem acolhido os migrantes, explica o arcebispo. “Em quase todas as dioceses existe um trabalho muito intenso com os migrantes. Centenas e centenas de migrantes são acolhidos pelas mais diversas necessidades, sobretudo, no trabalho de evangelização, de aulas de português”, destaca.

Dom Geremias também cita o trabalho desenvolvido nas (arqui)dioceses de Londrina, Curitiba, Apucarana, Cascavel e Maringá de acolhida dos migrantes que chegam ao país a partir de Roraima. “São migrantes que estão sendo levados ao interior do país, também pelo próprio governo federal. Curitiba já está recebendo um grande grupo, também Goioerê já recebeu um grande grupo. E assim pelo Paraná todo, os migrantes de todas essas nações estão sendo acolhidos”.

 

Pastoral Carcerária

Outra grande discussão foi sobre a Pastoral Carcerária, principalmente a respeito da mulher presa e os desafios que enfrenta, como a maternidade e as necessidades próprias das mulheres nas prisões. “É uma questão que possivelmente nos próximos meses, no próximo ano deverá exigir muita atenção da Igreja.”

Quem levantou essa questão na assembleia foi uma das representantes da Arquidiocese de Londrina, Cristina Coelho, que é a coordenadora estadual da Pastoral Carcerária na questão da mulher presa. Cristina explica que apesar das mulheres representarem apenas 6% da população presa no país, nos últimos 10 anos ao passo que o índice de homens presos cresceu 200%, o número de presas cresceu 600%.

Por isso a Pastoral Carcerária está iniciando um trabalho específico voltado para as mulheres. “Como a maioria dos presos são homens, a maioria das ações são voltadas para eles, mas o trabalho com as mulheres é muito específico. Com o aumento do número de presas, queremos começar a trabalhar já”, explica Cristina.

Juliana Mastelini Moyses
PASCOM Arquidiocesana

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