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Tempo de iluminar a vida com a experiência missionária

Com o 4º Retiro das SMP no dia 21 de julho, Arquidiocese de Londrina inicia as missões permanentes, a caminho de uma Igreja em estado permanente de missão

Neste mês, depois de três anos e meio de caminhada das Santas Missões Populares na arquidiocese, a Igreja Particular de Londrina dá um novo passo em direção à missão. No dia 21 de julho, o 4º Retiro Arquidiocesano das Santas Missões Populares dá início às missões permanentes, com o desafio de inserir o espírito missionário em cada pastoral, movimento, serviço e grupo da Igreja. O tema do encontro, “Viva as Missões Permanentes, a missão vai continuar”, faz justamente esse convite: que cada cristão viva a missão no seu trabalho na Igreja, mas também na sua realidade de vida e no seu cotidiano. O Retiro será na Epesmel das 7h30 às 18h.

As visitas permitiram aos missionários conhecer as realidades diferentes, muitas vezes bem próximas de si (foto Terumi Sakai)

Coordenador das SMP juntamente com Paulo Tardivo, padre Evandro Delfino destaca que embora as Santas Missões sejam um processo que tem começo, meio e fim enquanto formação e implantação do método, não se pode achar que o processo chega ao fim. “Na verdade, tudo isso somado é um novo começo de uma Igreja em estado permanente de missão”, explica. “Nesse sentido, o retiro vem pra animar o que melhor está por vir, discípulos e missionários de Jesus Cristo, uma Igreja em saída, como bem ressaltou o Documento de Aparecida e o Santo Padre Francisco.”

Participarão do retiro os missionários do grupo dos 30 de cada paróquia. Esse grupo é responsável pela articulação e animação missionária dentro das comunidades. Eles participam dos retiros a nível decanal e multiplicam o conteúdo e a mística por meio dos retiros paroquiais, mirins e jovem, com ações locais.

Paulo Tardivo completa que o objetivo do quarto retiro é tomar consciência de que a vida de cada cristão é também uma missão. “Missão não é só um tempo, a minha vida é missão e tenho que dar testemunho disso. Por isso fomos batizados, consagrados e ungidos”.

Paulo acredita que as SMP deram uma “sacudida” na arquidiocese. Com mais de 10 mil missionários adultos atingidos, 5 mil crianças e 3 mil jovens, fora as famílias que receberam as visitas. “Hoje falar de SMP, falar de missão se tornou natural. É um caminho sem volta. Milhares de famílias foram visitadas, muita gente voltou pra Igreja, criou-se muitos grupos bíblicos de reflexão. Hoje você encontra pessoas alegres, animadas, que encontraram um sentido da vida dentro das SMP. Hoje as pessoas se entendem como missionárias dentro da arquidiocese”.

Vocação

Uma das grandes contribuições das SMP na arquidiocese, segundo padre Evandro, é a redescoberta da vocação missionária da Igreja. Quando se fala em Igreja em saída, logo se pensa na figura do Papa Francisco, no documento de Aparecida e em declarações recentes da Igreja. No entanto, explica o padre, a missão está na essência da Igreja. “Isso parte daquele imperativo, daquele envio feito pelo Senhor Jesus: ‘Ide’. Isso está claro no Evangelho. Uma Igreja em saída é uma Igreja que reencontrou a sua própria identidade”, afirma.

“E foi uma grande descoberta porque as semanas missionárias, as visitas permitiram que as pessoas conhecessem realidades próximas de si, na sua vizinhança, no seu entorno, realidades gritantes, desafiadores, situação que talvez nem passasse pela cabeça dos missionários que tivesse tão próxima de si. Tomou-se consciência que temos que colaborar com  a missão local, temos a necessidade de animar nossos cristãos afastados, as pessoas que precisam da nossa ajuda de certa forma, as periferias existenciais e sociais.”

A partir da visita dos missionários Joana retornou para sua paróquia depois de nove anos afastada. (Foto arquivo pessoal)

Histórias de Missão
Na arquidiocese, as missões aproximaram, envolveram comunidades e também trouxeram para a Igreja, pessoas até então afastadas. Como Joana Maria Reis, da Paróquia Jesus Cristo Libertador, Decanato Norte. Joana sempre participou da Igreja. Vem de família. Tem esse nome pois nasceu no dia de São João, 24 de junho de 1965, se fosse menino seria João. Mas há 9 anos, Joana participava das missas na comunidade Mãe dos Homens, no Violin, no Aquiles, mas não na sua paróquia. Por conta de um desentendimento pessoal, mesmo morando na frente da igreja, não participava ali.

Isso mudou quando ela recebeu a visita dos missionários da comunidade. Joana ouviu a mensagem dos missionários e também contou um pouco da sua história, o por quê do nome… E naquela mesma semana voltou para sua paróquia. “A missão me resgatou na minha própria igreja”. Desde lá, só faltou na Missa um domingo por conta de uma viagem. Nos outros dias, é presença certa. “Eles vieram, fizeram uma leitura, oraram, tinham água benta também, pediram se podiam rezar em todos os cômodos da casa. Era o que eu estava precisando, e naquele momento tocou meu coração. Acho que os missionários nem têm noção da importância da visita deles. Como Jesus que saía pregando, eles também me resgataram”.

 

 

Heitor leva o espírito missionário para todas as pastorais que participa (foto arquivo pessoal)

Heitor Cândido Delfino foi um dos missionários que visitou a família de Joana. Ele é catequista, vicentino, e sempre que pode, nos outros trabalhos pastorais, vai lançando a sementinha da evangelização. “Com os vicentinos temos a Campanha do Quilo, em que saímos pelas ruas arrecadando alimentos para as pessoas carentes. Nesse meio sempre aparece alguém perguntando sobre o trabalho”, conta.

Numa dessas campanhas, uma mulher evangélica se interessou e foi fazendo perguntas para Heitor.  Começou perguntando sobre a campanha, depois sobre a Igreja e por fim sobre o dízimo. E Heitor a explicou aquilo que ele sabia, que era da comunidade, que servia para pagar as despesas da igreja, que o padre tinha um salário fixo para se manter, já que ele não tem nenhuma outra renda, e que o carro e a casa que ele usa são da paróquia. “Fui explicando pra ela. E ela ficou encantada, disse que na igreja dela era bem diferente. Daí uma ou duas semanas depois ela aparece lá na igreja. Já começou a ajudar na pastoral da acolhida”. 

Em união

Mesmo com problemas de saúde, Nilza assumiu a missão na Paróquia Nossa Jesus Cristo Libertador (foto Tiago Queiroz)

Nilza Garcia de Souza, da Paróquia Jesus Cristo Libertador, começou seu trabalho missionário há alguns anos, com atuação na paróquia e também na arquidiocese, mas por conta de um problema de saúde teve que se afastar. Quando o processo das SMP se iniciou na arquidiocese, o padre Lourival Zati a convidou para retornar ao trabalho.

“No início fiquei com medo de assumir, mas fui. Fiz as formações, montamos uma equipe na paróquia. E essa equipe trabalhou sempre unida. Eu não falo ‘eu’, falo sempre ‘nós’, porque estamos sempre de comum acordo”, comenta. “Fizemos visitas, cadastramos famílias, fomos crescendo, caminhando e dando frutos”.

Nilza descreve os frutos das SMP na sua comunidade. As pessoas trabalham mais unidas. De dois em dois meses, os missionários saem em visitas, levando a Palavra de Deus, aspergindo com água benta. “ Percebemos que muitas pessoas que nós visitamos não sabem os horários de missa, dos cursos, da adoração ao Santíssimo. E a gente divulga, convida para as atividades da paróquia. Percebemos que quando tá vazio na missa de manhã, a missa da noite enche. E são pessoas que a gente não via antes na igreja”.

As missões deram a Eiji e Massalo um olhar mais atento às necessidades das pessoas (foto Guto Honjo)

Massako e Eiji Takagi são missionários da Paróquia Nipo-brasileira Imaculada Conceição, Decanato Centro. Eles contam que de início não sabiam o que era missão, o que eram Santas Missões Populares, mas com os retiros e toda caminhada foram entendendo o processo. A partir das SMP, os dois estão mais atentos às necessidades das pessoas e ir ao encontro de quem precisa. “Eu vi que a gente tem muito o que aprender com as pessoas, principalmente ouvir o que as pessoas têm pra falar”, explica Massako. “A gente imagina que com as SMP, a gente tem que chegar, tem que falar alguma coisa. Mas não, aprendi que a gente tem mais que ouvir o que a pessoa tem pra dizer. E fazendo isso a gente cresce também”, completa Massako.  

Durante o período das SMP, Massako descobriu um câncer, o que a sensibilizou ainda mais. Na clínica onde fazia tratamento, ela procurava conversar com as pessoas que encontrava. “No meu tratamento eu fazia 34 sessões de radioterapia. Eu ia todos os dias. E o que aconteceu é que eu via muitas pessoas tristes. Aí qual foi a minha missão? Foi plantada uma sementinha pra que eu procurasse conversar com as outras pessoas, perguntar, dar o apoio, ouvir. As pessoas se emocionam. Às vezes fica triste, chora. E o que a gente faz nesse momento? A gente leva o testemunho daquilo também que a gente tá passando, mas que a gente tem que ter fé, ter esperança. Hoje vejo de uma forma positiva ter passado por essa situação do câncer. Eu acho que a gente sempre deve ver o lado positivo das coisas. Graças a isso eu pude amadurecer, crescer, porque só assim você pode dar o testemunho”, acredita Massako. “A missão é pra vida toda. Começamos dar um passinho.”

Juliana Mastelini Moyses
JC – Pascom Arquidiocesana

 

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