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Integração e bate-papo com estudantes abre programação da Semana do Migrante em Londrina

Alunos do Colégio Estadual Machado de Assis uniram teoria e prática em aula de Geografia sobre refugiados e fluxos migratórios

Dentro das atividades da Semana do Migrante em Londrina, um grupo de 30 estudantes do 9º ano do Colégio Estadual Machado de Assis esteve no Centro de Pastoral Jesus Bom Pastor, na segunda-feira pela manhã, 18, para um bate-papo com imigrantes de Londrina e região. A ideia do bate-papo surgiu nas aulas de Geografia da professora Roseli de Oliveira da Silva, que trabalhou com os alunos o conteúdo sobre refugiados e fluxos migratórios no mundo. “Faz parte da matéria do nono ano. Apliquei o conteúdo na sala de aula e quando chegou na parte de falar o que era o imigrante, o refugiado, surgiu a ideia de fazer um trabalho diferenciado com eles para exercitar, entre outras coisas, o protagonismo”, explica a professora.

A partir do tema das aulas, os alunos foram divididos em grupos e elaboraram um folder com 10 formas de ajudar um migrante quando ele chega ao Brasil, levando em conta a realidade que os alunos estão inseridos: arrecadação de alimentos, roupas, brinquedos, materiais de higiene pessoal, entre outros.

A atividade não parou por aí. Os estudantes quiseram também colocar em prática as dicas. Foi então que a professora entrou em contato com a Cáritas, que organizou o encontro dentro das atividades da 33ª Semana do Migrante, que traz justamente o tema: “A vida é feita de encontros: braços abertos sem medo para acolher”. A Semana do Migrante acontece no Brasil todo entre 17 e 24 de junho.

“Eles se reuniram para fazer as arrecadações, construíram um livro pra contar a história para eles como forma de motivação, escreveram uma carta. Então nós viemos fazer a entrega das doações e uma roda de conversa com os haitianos pra saber quais as principais dificuldades que eles enfrentam quando chegam aqui. Para que os alunos tivessem esse contato, esse vínculo com eles. Porque uma coisa é você ensinar em sala de aula a teoria, outra coisa é eles vivenciarem na prática. E a gente tá saindo daqui muito mais integrado com eles, questão de se colocar no lugar do outro. Mais do que receber nota por um trabalho é fazer algo por pessoas que tanto precisam”, explica Roseli.

Presente

A matéria estudada virou também literatura. Um grupo de alunos produziu um livro de presente para os migrantes. No enredo, dois irmãos gêmeos que precisam fugir de seu reino em guerra e se abrigar em um reino estranho, onde conhecem outras pessoas, personagens inspirados nos próprios alunos. “A sala toda se esforçou bastante, fiquei impressionada. No meu grupo veio a ideia de fazer algo diferente e então fizemos o livro com base nas nossas aulas de Geografia.Aqui a gente pôde ver e ouvir pessoalmente a história deles, que é algo parecido com o que a gente escreveu. A gente contou a história e as meninas ficaram lendo depois, parece que elas gostaram bastante, isso deixou a gente muito feliz”, conta a estudante Laura Cezario Pires, idealizadora do livro.

Bate-papo

Durante a conversa, os estudantes puderam tirar as dúvidas que surgiram na sala de aula. Como é a cultura do país, o que faz uma pessoa deixar sua terra, como é a adaptação, o que sentem. Questões que nem os livros, nem a professora podiam responder. “A gente estava estudando o conteúdo e a gente começou a fazer perguntas para a professora.Como a professora não tinha todas as respostas, ela ficou sabendo da Cáritas, daí ela falou pra gente vir. E a gente recolheu alimentos, doações pra ajudar os refugiados e migrantes. É muito legal porque assim a gente consegue fixar mais o conteúdo, consegue ver como que é na realidade, o que acontece, o sofrimento que as pessoas passam”, explica o estudante Felipe Torres Passucci.

Cultura

Brincadeiras e canções do outro lado do oceano também fizeram parte da manhã dos adolescentes. Músicas até conhecidas por aqui, com outras palavras e idioma. “Foi bastante inspirador. Conversamos sobre as dificuldades, sobre como eles aprenderam o português. Muitos deles falaram que o mais difícil foi deixar o país. Eles também comentaram que aprenderam o português na escola, eles chegaram na escola e tiveram que aprender o português. Falaram da cultura, que as músicas são bem diferentes. Comentaram que os pais sempre vêm primeiro e eles sentem muita saudade. Eles cantaram umas músicas, foi muito emocionante”, explica a estudante Cecília Marino da Costa.

 

Semana do Migrante

De 17 a 24 de junho.

Tema: “A vida é feita de encontros”

Lema: “Braços abertos sem medo para acolher”

 

Juliana Mastelini Moyses
PASCOM Arquidiocesana

     

Fotos: Tiago Queiroz/PASCOM

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