Palavra do Arcebispo

Cristo Ressuscitou! É Páscoa!

Após a vivência do período quaresmal, em que se destacam o anúncio da Palavra de Deus, o jejum, a esmola e a oração como práticas para motivar o aprofundamento da fé e também do discipulado de Nosso Senhor Jesus Cristo, celebra-se a Ressurreição do Senhor. Ela é precedida da Semana Santa que recorda grandes mistérios da fé, tais como: a instituição do sacerdócio, a instituição da Eucaristia, o Lava-pés, a morte do Senhor e a Vigília Pascal, ou seja, da Ressurreição. Esta é a celebração central da fé cristã. Sem a ressurreição vã seria a nossa fé. Seríamos os mais tolos dos homens. Poucas celebrações litúrgicas são tão ricas de conteúdo e de simbolismo como a Vigília Pascal. Ela é o coração de todo o ano litúrgico, do qual se irradiam todas as outras celebrações. O Missal Romano lembra que “por uma antiquíssima tradição, esta é ‘a noite de vigília em honra do Senhor’” (Ex 12, 42).

No primeiro período da Igreja, a Páscoa foi o único ponto central da pregação, da celebração e da vida cristã. O culto da Igreja nasce da Páscoa e para celebrar a Páscoa. É um dado da maior importância. Tudo é visto no centro e a partir do centro, e este centro é o acontecimento do Cristo morto e ressuscitado. No começo, portanto, tudo está centrado neste único mistério histórico-salvífico, atualizado no presente da celebração. Os primeiros cristãos celebravam a Páscoa a cada oito dias naquele dia que é chamado “Dia do Senhor” ou Domingo. Pouco a pouco cresceu a consciência da Páscoa anual que objetivava celebrar uma vez por ano, com mais solenidade a Páscoa do Senhor e assim começou a formação do ano Litúrgico. Passou-se a celebrar a cada ano o ciclo dos “mistérios” de Cristo (natal, epifania, batismo, etc.) para esclarecer e dar maior destaque ao Mistério do Senhor (Ressurreição).

É ao redor da Páscoa que se forma a Igreja. Este Mistério da Fé, tão profundo e inusitado, precisa ser anunciado a toda a humanidade. A Igreja vive para anunciar a salvação que brota da ressurreição do Senhor. O Catecismo da Igreja Católica lembra que “a transmissão da fé cristã é primeiramente o anúncio de Jesus Cristo, para levar à fé nele. Desde o começo, os primeiros discípulos ardiam do desejo de anunciar a Cristo: ‘Pois não podemos, nós, deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos’ (At 4,20)” (425). No centro da catequese encontramos essencialmente uma Pessoa, a de Jesus de Nazaré, Filho único do Pai…, que sofreu e morreu por nós e agora, ressuscitado, vive conosco para sempre… (426).  

É ao redor da Páscoa que se forma a Igreja. Este Mistério da Fé, tão profundo e inusitado, precisa ser anunciado a toda a humanidade. A Igreja vive para anunciar a salvação que brota da ressurreição do Senhor

Este dia da ressurreição estende-se por 50 dias de celebração como se fosse um único dia de alegria pela vitória do Senhor sobre a morte. Assim quero desejar a todos uma Feliz e Santa Páscoa. Que o ressuscitado, o Deus da Vida, nos transforme em “homens e mulheres novos” e todos possamos celebrar a vitória sobre a morte produzida pelo pecado.

Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo Metropolitano de Londrina

 

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