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Papel da Igreja frente aos desafios do mundo urbano

Segundo dia do 14º Intereclesial das CEBs

Na manhã desta quinta-feira foi realizada a segunda grande plenária do 14º Intereclesial. Cerca de 3300 participantes de todo país se reuniram na praça Araucária, localizada no Ginásio de Esportes Moringão em Londrina. As atividades concentraram-se na síntese dos trabalhos do primeiro dia de miniplenárias e em duas assessorias que levantaram reflexões teológicas sobre a essência e o papel das CEBs. Após um momento inicial de acolhida e oração, foi lido um documento escrito com base no registro dos relatores presentes em cada uma das 13 miniplenárias da quarta feira.

Paulo e as primeiras comunidades

A Irmã Tea Frigerio ficou encarregada de dar pistas para um JULGAR os desafios do mundo urbano à Luz da Palavra. A assessora focalizou a história do apóstolo Paulo. A partir de um encontro com Jesus no caminho de Damasco, ele dedicou a sua vida ao anúncio da Boa Nova e criou comunidades. Essas comunidades criadas por Paulo representavam uma organização de vida alternativa às estruturas oficiais, e é essa a relação que a missionária fez com as CEBs. Atuando à margem da sociedade da época, o apóstolo devolveu a dignidade a muitas pessoas.

Segundo Tea, as comunidades eclesiais de base precisam mostrar que é possível viver relações alternativas, onde se encontre igualdade, partilha e testemunho; onde o bem viver seja o centro. Para isso, nas palavras dela, “As CEBs não podem se conformar com esse mundo”, mas precisam discernir e agir frente às injustiças e explorações.

O incentivo Missionário para as comunidades

As tentações do agente pastoral enumeradas na Exortação Apostólica do Papa Francisco Evangelium Gaudium foram mencionadas na fala do Pe. Manoel Godoy, que fez a segunda motivação. Fez-se, dessa maneira, o alerta para a perda do entusiasmo missionário, o pessimismo, o isolamento, o mundanismo espiritual, as divisões, entre outros fatores que afastam as pessoas do caminho cristão. Outro assunto abordado pelo assessor foi a necessidade da Igreja se colocar em saída e ocupar espaços das cidades, inclusive o espaço virtual. Ele falou ainda que a lógica das cidades só pode ser entendida sob o crivo das classes sociais: “Espaço para pobre e rico é diferente, tempo para pobre e rico é diferente, lazer, trabalho, tudo”. E completou: “Nós não somos neutros, mas olhamos a realidade a partir dos pobres”, confirmando que as CEBs são identificadas como a porção da Igreja que fez uma opção de classe.

Fila do Povo e depoimentos dos assessores

Após a leitura da síntese das miniplenárias, foi aberta a Fila do Povo, dando oportunidade aos participantes para manifestar opiniões, e alguns assessores foram convidados em seguida para compartilhar suas impressões. Vera Lopes, da Diocese de Osasco, membro da pastoral afro-brasileira, chamou a atenção para a importância da aceitação da identidade negra: “temos que sair daqui com a preocupação de fazer um recorte étnico-racial nas nossas ações, pois o povo negro não pode entrar na política do “embranquecimento” que continua dentro e fora da Igreja”. Vera falou sobre não se sentir representada na atual Campanha da Fraternidade: “É uma tristeza olhar para um cartaz de uma campanha que fala da superação da violência e não tem um jovem negro, não tem uma mulher negra”.

O assessor nacional Benedito Ferraro lembrou que a dinâmica das CEBs tem como dado fundamental a relação entre a fé e as demais dimensões significativas para a organização da vida das pessoas e do planeta, como a economia, a política e a cultura. Ferraro indicou também a importância das manifestações por meio de notas da CNBB e do CONIC, posicionando-se a favor da democracia e dos direitos sociais. Sobre isso, o assessor declarou: “As CEBs necessitam desse apoio da CNBB, mas ao mesmo tempo é a partir da atuação das comunidades eclesiais de base que a CNBB terá o respaldo para apontar a possibilidade de um outro modelo de sociedade e de convivência social”.

É preciso rever o conceito de espiritualidade

Rebatendo o comentário muitas vezes repetido de que “as CEBs gostam de política e de luta, mas não têm espiritualidade”, o assessor nacional Pedro Ribeiro de Oliveira explicou que é preciso rever o conceito que se tem de espiritualidade. Assim, ele frisou que existe a espiritualidade terrena, da vida familiar e do cuidado com as necessidades humanas, dando o exemplo de Santa Madre Tereza de Calcutá, que se tornou santa por cuidar dos mais pobres. “A nossa preocupação é viver o projeto de Deus aqui na Terra, lutar pela terra, pela vida, pela saúde, e essa é a grande contribuição das CEBs para toda a Igreja”, afirmou.

Um encontro de culturas na discussão dos desafios

As 13 miniplenárias, nesta quinta feira, levaram à reflexão sobre como na caminhada do Povo de Deus os diversos desafios se apresentaram e como foram superados. Depois da motivação do assessor, especialista em cada tema, os grupos de pessoas cadastradas na plenária se reuniram para levantar as propostas de superação em cada desafio.

A animação nas 10 praças foi um momento único: Todas tiveram grupos de música animando com instrumentos populares. A união de culturas, foi manifestada na música e dança. O sincretismo movimentou todo mundo e as paróquias praças se transformaram numa grande comunidade em torno da alegria. A animação, inclusive, foi um dos pontos fortes da “fala” do monge beneditino Marcelo Barros, na discussão sobre os desafios do acesso à cultura. Cada questão levantada terminava com uma música da cultura popular brasileira e muita dança.

Flora Neves
Comunicação 14ºIntereclesial

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PASCOM Arquidiocesana
Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Londrina

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